ANO: 25 | Nº: 6284

José Carlos Teixeira Giorgis

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Desembargador aposentado e escritor
28/04/2018 José Carlos Teixeira Giorgis (Opinião)

Bajeenses e a seleção brasileira

A Seleção Brasileira de Futebol desde 1914 vem sendo defendida por jogadores nascidos no Rio Grande do Sul e até 2015 já absorvera 114 atletas o que representa, aproximadamente, 10% dos convocados em todos os tempos. Apenas 28 (ou 29?) deles disputaram a Copa do Mundo Fifa.
Os 114 selecionados são oriundos de 42 cidades, a maioria de Porto Alegre (42), Pelotas (11) e Bagé (8). Todavia, segundo o relatório pesquisado, apenas três bajeenses estiveram em ditas Copas: Octacílio, Martim Silveira e Branco.
Dos rio-grandenses, aqui consideradas as seleções de base, a principal e jogos outros, quem mais disputou foi Ronaldinho (148 jogos), seguido de Taffarel (130), Dunga (115), Maicon (97), Branco (77), Batista (72) e outros. Dos clubes, o Internacional foi quem mais cedeu atletas (Nena, Adãozinho, Carpegiani, Batista, Mauro Galvão). Lembre-se, contudo, que outros, como Juvenal, Noronha, Chico e Tesourinha, quando chamados, não pertenciam a clubes gaúchos. Contudo, apenas Everaldo (1970) e Anderson Polga (2002) foram campeões mundiais, ambos do Grêmio. O primeiro treinador gaúcho da seleção para jogos da Copa foi o pedritenses Cláudio Coutinho (1978), seguindo-se Felipão, Dunga (2010) e agora Tite.
Muitos gaúchos foram às Copas quando estavam em times estrangeiros: Luiz Luz (Penãrol), Branco (Bréscia e Porto), Taffarel (Reggiana), Dunga (Fiorentina, Stuttgart, Júbilo Iwata), Emerson (Bayer Leverkusen e Juventus), Ronaldinho (PSG e Barcelona), Maicon (Internazionale).
Agora, os bajeenses.
Octacílio, ou, Octacílio Pinheiro Guerra, aqui nascido em 21 de novembro de 1900. Era zagueiro. Atuou no Guarany (1901-1910), no Rio Grande (1921-25), no Botafogo (Rio, 1926-1936). Foi convocado para a seleção nacional para a Copa de 1934, tendo jogado amistosos contra a Iugoslávia e a Espanha. Marcou um gol em seus 12 jogos pelo Brasil. Faleceu no Rio de Janeiro, em 22 de junho de 1967.
Martim Silveira, ou, Martim José Mércio Silveira, nasceu em Bagé, em 02/03/1911, de tradicional família local. Jerônimo, o Silveirinha, prefeito e dono de haras de renome nacional; Mário, funcionário fazendário e político; Paulo, pecuarista, Tomazinho, advogado. Centromédio. Jogou no Guarany (1927-1930), mudando-se para o Rio, onde atuou pelo Botafogo (1930-32; 1934-39); Canto do Rio, de Niterói (1940), Boca Juniors (1933) onde foi campeão argentino junto com Domingos da Guia. Treinou o Botafogo e também o Canto do Rio. Faleceu no Rio de Janeiro, em 16 de agosto de 1972.
Branco, ou, Cláudio Ibraim Vaz Leal, aqui nascido em 04/04/1964. Lateral canhoto. Começou no juvenil do Bagé, e, em 1982 ficou atleta profissional do Guarany, depois de brilhar na base deste clube, sendo convocado para a seleção gaúcha de juniores, aonde se destacou. Daí, para o Fluminense (1982-86), Bréscia (Itália, 1986-88); Futebol Clube do Porto (Portugal, 1988-90); Genoa (Itália, 1990-93); Grêmio (1993); Corinthians (1994), Fluminense (segundo semestre de 1994); Flamengo (1995), Internacional (segundo semestre de 1995); Mogi-Mirim (1996); Metro Stars (Nova York, 1998) e Fluminense (ainda em 1998). Disputou as Copas de 1986, 1990 e 1994 (tetra campeão mundial na última). Gerente de futebol do Fluminense; coordenador das categorias de base da CBF. Treinou o Figueirense (SC), o Sobradinho (DF) e o Guarani de Campinas. Reside no Rio, mas mantém residência também em Bagé. Como alertado, o texto se refere apenas ao período entre 1914 a 2015; e às Copas do Mundo Fifa, sob censura. Houve como sabido, mais bajeenses vestindo a "canarinho" em outras competições, o que também se noticiará.

Fontes: José Higino Gonçalves. "Atletas da dupla Baguá". Obra inédita. 2017. Ana Maria Froner Bicca, "Jogadores gaúchos que serviram à Seleção Brasileira", pesquisa para a Fundação de Educação e Cultura do SC Internacional, 2018, também ainda não publicizada.

 

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