ANO: 25 | Nº: 6381

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
28/04/2018 Airton Gusmão (Opinião)

Não podemos ser cristãos sem Jesus Cristo

“Havia uma flor que nasceu no meio de algumas pedras. Sofreu, esforçou-se, e conseguiu crescer, mostrar sua beleza no mundo. Conseguiu mostrar sua vida no meio de tanta dureza e tristeza. Uma Jovem que passava por ali viu a sua beleza, cortou-a e levou para casa. Mas logo ela começou a murchar e, após uma semana, a flor morreu. No mesmo lugar onde ela havia crescido, nasceu outra flor. Um homem passou por ali, viu a beleza da flor, mas deixou-a onde estava. Depois de alguns dias de sol forte, sem chuva, a flor morreu, solitária.
Mas suas raízes eram muito fortes. Novamente floresceu, cresceu e mostrava seu esplendor. Passou por ali uma criança, que se encantou por ela. Não quis cortá-la, pois sabia que iria morrer se não estivesse ligada às suas raízes. Resolveu voltar todos os dias. Um dia regou; outro dia trouxe terra; outro dia limpou ao seu redor, fazendo um canteiro; outro dia colocou adubo; e assim todos os dias visitava a flor.  Algumas semanas depois, o local que até então tinha uma flor resistente no meio de muitas pedras, agora, tinha muitas flores, tornou-se um belo jardim colorido” (Parábolas de sabedoria. Darlei Zanon, Paulus: 2005).
No Evangelho deste quinto domingo do Tempo Pascal (Jo 15,1-8), Jesus nos diz: “Permaneçam em mim e eu permanecerei em vocês. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vocês não poderão dar fruto, se não permanecerem em mim. Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa para que dê mais fruto ainda. Eu sou a videira e vocês os ramos. Sem mim vocês não podem fazer nada”.
Estamos na estação do outono onde, aparentemente, as árvores passam pela experiência de perda, de morte, em que suas folhas caem e os galhos ficam como que secos. Porém, dentro delas existe a seiva, a vida e, com certeza, elas despertarão na primavera, voltando a florescer e produzindo frutos, cores e muita beleza e alegria para serem contempladas. Assim, também a nossa vida passa por várias estações e precisamos acolhê-las, com suas mudanças e perdas.
A poda dos ramos que não produzem fruto é dolorida, mas é a condição para que o restante da planta possa desenvolver-se. Qualquer limpeza é exigente. Quem ama sofre, pois o amor exige renúncia. Por isso, Jesus revela que, estar unido a ele, é ter que suportar as podas para produzir mais frutos; pois sem elas, os ramos acabam prejudicando toda a videira, a qual não produzirá os frutos necessários.
O importante é manter nossas raízes em Deus, permanecendo em todas as estações da vida, unidos a Jesus Cristo, em um relacionamento pessoal e vital com ele, pois d’Ele e somente d’Ele é que recebemos a seiva do Espírito Santo, que nos proporciona a fecundidade cristã, comunitária e cidadã; nos fazendo frutificar onde estamos, no cotidiano de nossa vida, com seus momentos de deserto e aridez.
Por isso, Jesus quer que seus discípulos permaneçam com Ele, em um relacionamento profundo de amizade, em comunhão e testemunho missionário. E, para cultivar esse “permanecer” com Ele, é decisivo a vida de oração pessoal e comunitária; a meditação e vivência do Evangelho; a celebração e vivência da eucaristia; a vida de comunidade e, a partir desta, testemunhar no mundo, na sociedade, como sal da terra e luz do mundo, os valores do Reino, principalmente assumindo a centralidade do Mandamento do amor, que Ele quis chamar seu e novo: “Amem-se uns aos outros, como eu os amei” (Jo 15,12).
Permanecem e frutificam aqueles que observam a palavra de Jesus e se purificam por essa Palavra. Os frutos têm um duplo sentido: o amor aos irmãos e a glorificação do Pai pela obediência a Cristo, no discipulado. Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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