ANO: 25 | Nº: 6353
28/04/2018 Cidade

Revitalização do Coreto se aproxima do fim

Foto: Tiago Rolim de Moura

Reforma da parte externa tem investimento de R$ 23 mil
Reforma da parte externa tem investimento de R$ 23 mil

O secretário do Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Bayard Paschoa Pereira, anunciou, nesta semana, que a obra de reestruturação e pintura do Coreto, localizado na praça Silveira Martins, está próxima de ser finalizada. 
O prédio, inaugurado em 15 de novembro de 1927, é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), que chancelou o projeto de revitalização, encaminhado sob responsabilidade técnica da arquiteta, Joelma Silveira. Segundo ela, a cor que será utilizada na reforma é a original e foi buscada através de um processo de prospecção.
Conforme Bayard, a estrutura, na atualidade, acolhe o projeto Artesanato do Pampa Gaúcho, integrante do Programa Arranjos Produtivos Locais, administrado pela pasta. De acordo com ele, a revitalização iniciou no ano passado, quando foi recuperada e pintada a parte interna. Também foram reformadas as redes hidráulica e elétrica. “Agora, estamos finalizando os reparos na área externa. O trabalho envolve a recuperação das aberturas, luminárias, floreiras e pavimento do entorno do prédio”, conta.
Segundo o secretário, a recuperação externa deve custar cerca de R$ 23 mil, incluindo o material e a mão de obra. “Em breve, estaremos devolvendo à cidade um de seus principais cartões postais", conclui Bayard.

História
De acordo com a pesquisadora Elisabeth Macedo de Fagundes, em seu livro Inventário Cultual de Bagé, a história do Coreto iniciou bem antes de sua construção, quase na virada do século. Com a chegada da luz elétrica, inaugurada em 4 de junho de 1899, clarearam-se os espaços e a segurança melhorou. A população, que só conhecia o sarau das salas de visita e de espetáculos, descobriu o tempo noturno pelas alamedas da praça. O intendente José Octávio Gonçalves contratou, então, a firma Prati & Rossel para construir, na Praça Voluntários da Pátria (hoje Silveira Martins), uma espécie de "Quiosque".
A pesquisa de Elisabeth revela que João Prati Filho e Martin Rossel ergueram, então, um "chalet" coberto de zinco, inaugurado em 9 de setembro de 1899. O contrato dizia que a firma poderia explorar o negócio durante 12 anos, findos os quais passaria para a intendência. O quiosque funcionou durante 28 anos.
Durante algum período, foi denominado "Chalet América", explorado por Antônio Fernando de Oliveira. Na administração municipal de Carlos Mangabeira, ficou decidido reformular a praça. Foi quando iniciou a construção do Coreto. O projeto foi do engenheiro civil Lincoln Proença Borralho, secretário de Obras Públicas da Administração Municipal. Por ocasião das comemorações da data de emancipação política do Brasil, o Coreto foi festivamente inaugurado. Em 2007, por força de lei, a estrutura recebeu o nome de Coreto Engenheiro Lincoln Proença Borralho.
Palco de comícios, o local, além de abrigar as bandas musicais e peças teatrais, foi usado por personalidades da política bajeense e nacional, como Juarez Távora, Ademar de Barros, Jânio Quadros e Juscelino Kubitschek.
A parte inferior do Coreto abrigou, durante muitos anos, o Bar & Café, cujos frequentadores, sentados a mesas colocadas ao redor, depois do sol posto, bebiam cerveja, gasosa, discutiam política, entoavam canções, dedilhavam modinhas e faziam poesia, enquanto a noite avançava. Um dos proprietários foi Heraldo Duarte. Funcionou, também ali, uma mercearia, abrigo de motorista de "carros da praça", sanitários e uma estrutura de informações turísticas.

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