ANO: 25 | Nº: 6458
03/05/2018 Fogo cruzado

Partido Novo define política para setor primário

Foto: Tiago Rolim de Moura

Fernanda e Mariane participaram de apresentação do partido em Bagé
Fernanda e Mariane participaram de apresentação do partido em Bagé

Reduzir a interferência do Estado sobre o produtor rural. Esta é uma das principais metas da política setorial do partido Novo, apresentada, ontem, aos bajeenses, pelas pré-candidatas à Assembleia Legislativa, Fernanda Barth e Mariane Oliveira. A pauta definida pela sigla, para o setor, prevê, ainda, um novo debate sobre a carga tributária.
Fernanda destaca que as políticas setoriais foram definidas pela Fundação Novo, presidida por Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central e um dos formuladores do Plano Real. “As diretrizes para o campo envolvem muitas questões, a exemplo da segurança jurídica”, pontua, ao desatacar que a intenção é estimular a competitividade do setor. “Temos as condições necessárias para sermos os maiores produtores agrícolas do mundo. Mas para que isso aconteça, precisamos zerar a carga tributária dos produtos necessários para o campo”, exemplifica.
A pré-candidata à Assembleia Legislativa também defende a desburocratização. “As leis brasileiras precisam ser mais simples. Quanto mais simplificada a questão tributária, por exemplo, mais transparente ela será. Quanto mais regra se coloca, mais problemas se cria para vender facilidades”, avalia, ao sugerir uma revisão na legislação da Vigilância Sanitária. “Temos setores profundamente prejudicados pela lei, como a produção de laticínios. O pequeno não tem vez. Só as grandes empresas conseguem produzir queijo, creme de leite e doces”, pondera.

Diretrizes
O Novo só aceita filiados com ficha limpa. A sigla também faz uma espécie de seleção para candidatos e vive, exclusivamente, das doações voluntárias de seus apoiadores. “Se todos os partidos políticos do Brasil fossem assim, quando eles não prestassem um serviço decente, ou fizessem o famoso estelionato eleitoral, as pessoas retirariam seu apoio e o partido quebraria. Poucos sobreviveriam. Hoje, só por existirem, eles têm direito a R$ 80 mil por mês”, explica Fernanda.
O partido não utiliza recursos do fundo partidário e do fundo de campanha. Na avaliação de Mariane, esta posição começa a refletir em outras legendas. “Bolsonaro (pré-candidato à presidência da República pelo PSL) afirmou que não vai utilizar os recursos. É um reflexo do espaço conquistado pelo discurso do Novo. Se todos fizerem isso, o fundo pode perder força e não precisará mais existir. O ideal seria os outros se sentirem constrangidos e também decidirem não usar este dinheiro”, opina.
Detalhes sobre o estatuto do partido, que estabelece, como obrigação às representações com mandatos, a redução de gastos com dinheiro público e o emprego de assessoria técnica, também foram apresentados, ontem, durante evento no Villa Baron. Mariane destaca que não houve mudança no processo de seleção dos pré-candidatos. “O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) negou o pedido de inclusão da regra no estatuto, mas o sistema vai seguir. O processo seletivo só diz quem está apto às convenções. Se alguém fizer o pedido para ser candidato sem o processo seletivo, a lei permite”, disse ela.
As pré-candidatas reforçaram, ainda, posições contrárias às cotas para participação feminina na composição das nominatas, estabelecidas pela legislação eleitoral. “A cota é um instrumento antimérito. Estamos participando do processo por que queremos ser candidatas. Cota só cria uma obrigação legal. Ela não vai aumentar a participação da mulher. Se as mulheres não querem, não é uma cota que vai fazer elas terem vontade de participar”, reflete Fernanda.

Meta
O partido tem uma meta estabelecida para o pleito de outubro. Mariane adianta que o Novo deve contar com 350 candidaturas à Câmara dos Deputados, em todo o Brasil. Ela conta que a intenção é eleger pelo menos 35 deputados federais. “Viemos para mudar o sistema. Queremos acabar com o foro privilegiado e cortar as mordomias. Com uma bancada de 35 parlamentares, conseguiremos fazer uma grande mudança. Serão 35 representantes economizando com verba de gabinete”, garante.

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