ANO: 25 | Nº: 6208
04/05/2018 Fogo cruzado

Durante agenda em Bagé, Zaneti afirma que está à disposição do PSB

Foto: Sidimar Rostan/Especial JM

Deputado constituinte destaca enfrentamento da dívida pública como prioridade
Deputado constituinte destaca enfrentamento da dívida pública como prioridade
“Se o partido quiser, estou no páreo. Mas será para levar um programa de governo que priorize novos desafios”, adiantou, ontem, em Bagé, o ex-deputado federal Hermes Zaneti, ao comentar sobre a possibilidade de disputar o governo do Estado pelo PSB. O novo desafio, ainda conforme Zaneti, está relacionado ao enfrentamento da dívida pública – tema central de sua visão de governo.
O PSB ainda não definiu, oficialmente, uma posição sobre o pleito de outubro, no Rio Grande do Sul – uma definição deve ocorrer no dia 5 de agosto. O manifesto em defesa da candidatura própria ao governo do Estado, lançado por líderes do partido, na terça-feira, entretanto, tem o apoio formal de dois movimentos da legenda (Sindical e Negritude) e de parte da Juventude. A defesa da candidatura socialista ao Piratini atende ao apelo das bases, reconhecido, entre março e abril, por meio de encontros regionais, que reuniram representantes dos diretórios municipais.
A proposta de candidatura própria, de acordo com os resultados  divulgados por Zaneti, totalizou 119 votos, superando a proposta de uma eventual coligação com o MDB. “Esta Executiva está coordenando um processo democrático. Tão democrático que fez nove encontros regionais (um deles em Bagé, no mês de março), para saber o que a base pensa”, define.

Programa de governo
Em nota, o secretário-geral do PSB, Vicente Selistre, ex-deputado federal, coordenador nacional da corrente sindical e membro do diretório nacional da legenda, revela que o manifesto pela candidatura própria está embasado em uma ampla discussão programática dentro do partido, que tem por objetivo consolidar um projeto de governo. Onze núcleos temáticos estão coletando sugestões e, até o fim da primeira quinzena de maio, entregam uma proposta à direção partidária.
Durante a agenda em Bagé, Zaneti, revelou, ainda, que o planejamento desenvolvido pelo PSB, em 2013, está sendo revisado. “Na época, o presidente do partido decidiu que não teríamos candidato. Agora estamos atualizando aquele programa”, garantiu, ao destacar que o enfrentamento da dívida deve ser encarado como uma prioridade. “Hoje, estamos aceitando o juro que o governo federal está impondo. E não é a primeira vez”, critica.

Frente parlamentar
A sessão no Legislativo bajeense abriu uma espécie de agenda do partido, que prevê reuniões de criação de Comitês Populares Municipais e Frentes Parlamentares de Questionamento da Dívida Pública. A Câmara de Vereadores de Bagé foi a primeira a lançar uma frente parlamentar neste sentido. A medida representa um dos pilares da linha programática do PSB. “Precisamos saber o que devemos, a quem devemos, quanto devemos e como vamos pagar. Estamos pagando uma conta sem saber. Precisamos de uma auditoria”, resume Zaneti.

Senado
Zaneti afirmou que o PSB deve contar com duas candidaturas ao Senado. “Tive uma reunião com José Fortunati. Ele tem um projeto político de ser senador. E vai ser senador. Foi honesto. Sabendo disso, o partido o acolheu. E sabendo que já havia sido aprovada a pré-candidatura do Beto Albuquerque. Então, não tem como o PSB vender, hoje, a ideia de que é um ou o outro. Os dois serão candidatos. Se um deles não quiser, aí é outro problema. O problema do partido é cumprir o que, por unanimidade, foi decidido”, pontuou.

Joaquim Barbosa
Defendida por lideranças do PSB, a candidatura do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, à presidência da República, dependeria, de acordo com Zaneti, de uma conjuntura pontual. “Ele está aguardando nova rodada de pesquisa. O grande desafio é o arranjo político no Estado de São Paulo”, afirma o ex-deputado. “E se for eleito, vai me ver mais leão do que já tenho sido ou do que serei com qualquer outro presidente. A verdade na mesa. Vou dizer a ele que fez um belíssimo trabalho contra a corrupção e que precisará enfrentar a maior corrupção, que é o trato que este país tem dado à dívida pública”, reforça.

Perfil
Zaneti nasceu em Veranópolis. O advogado iniciou a militância política no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país em abril de 1964. Foi eleito deputado federal constituinte, em novembro de 1986. Votou a favor do limite de 12% ao ano para os juros reais, da limitação dos encargos da dívida externa, do voto facultativo aos 16 anos, do parlamentarismo, da legalização do aborto, da estabilidade no emprego, da jornada de trabalho semanal de 40 horas, do aviso prévio proporcional, da criação de um fundo de apoio à reforma agrária, da desapropriação da propriedade produtiva. Votou contra a pena de morte, o mandato de cinco anos para o então presidente José Sarney, a legalização do jogo do bicho.
O ex-deputado é contrário às privatizações. Zaneti é autor do livro O Complô – como o sistema financeiro e seus agentes políticos sequestraram a economia brasileira. Na obra, ele aponta em sua palestra caminhos inovadores para o enfrentamento da dívida, de uma forma como não foi feita nos últimos 40 anos. Ontem, durante a apresentação da Frente Parlamentar de Questionamento da Dívida Pública, lançada na Câmara de Bagé, pela bancada do PSB, com apoio da direção municipal do partido, ele palestrou sobre o assunto.

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