ANO: 25 | Nº: 6359

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
05/05/2018 José Artur Maruri (Opinião)

A crença na sobrevivência e os fenômenos espíritas

Quando estudamos a obra de J. Herculano Pires, especificamente, “O Espírito e o Tempo: Introdução Antropológica ao Espiritismo”, podemos observar um fato incontestável: desde que o ser humano tem consciência de si mesmo, existe a crença na sobrevivência da alma e nos fenômenos espíritas.

O autor supracitado, destacado divulgador do Espiritismo e tradutor da obra de Allan Kardec no Brasil, cita os estudos de Ernesto Bozzano, professor de filosofia da ciência na Universidade de Turim e grande pesquisador espírita na Itália, ambos do século XX, para afirmar que os fenômenos espíritas sempre estiveram presentes no horizonte tribal.

Estudos realizados pelo antropólogo Andrew Lang e pelo etnólogo Max FreedomLong entre as tribos da Polinésia indicam que a humanidade, ainda que em estágio tribal, crê na universalidade da crença na sobrevivência.

O primeiro fato positivo, segundo Bozzano, é o da existência de uma força misteriosa que impregna ou imanta objetos e coisas, podendo atuar sobre criaturas humanas. É a força conhecida pelos nomes polinésios manae orenda. Considerada em geral como imaginária, essa força produz os mais estranhos fenômenos.

No entanto, a consideração dos cientistas avança no sentido de que mana e orenda seriam demasiado abstratas para considerá-las o princípio de que partiram os selvagens para chegar aos Espíritos, de forma que tal dúvida, segundo Bozzano, é fundamental e psicologicamente justa, haja vista que conhecemos a natureza concreta do pensamento primitivo, incapaz de processos de abstração mental que caracterizam o homem civilizado.

Dessa forma, mana e orenda não é uma força imaginária, mas uma força real, concreta, positiva, que se afirma através de ampla fenomenologia, verificada entre as tribos primitivas, nas mais diversas regiões do mundo. Essa força primitiva corresponde ao ectoplasma de Richet, a força ou substância mediúnica das experiências metapsíquicas, cuja ação foi estudada cientificamente por Crawford, professor de mecânica da Universidade Real de Belfast, na Irlanda.

A imaginária força dos selvagens encontra similar nas pesquisas dos sábios europeus e americanos, empenhados nos estudos espíritas e metapsíquicos.

O segundo fato concreto, de ordem espírita, do horizonte tribal, é o da existência dos próprios Espíritos, também universalmente afirmada. Uma das provas está nas próprias conclusões de FeedomLong, em que foram observados os Espíritos operarem por meio de mana, ou seja, servindo-se dessa força.

Portanto, a existência das duas concepções, a da força misteriosa e a dos Espíritos, impõem-se também diante da multiplicidade dos fenômenos mediúnicos no meio primitivo, onde, como acentua Bozzano, a presença de “agentes espirituais” se impunha, de maneira positiva.

Diante disso, vemos que as superstições dos selvagens, as suas práticas mágicas, não eram nem podiam ser de natureza abstrata, imaginária, mas, decorriam, como tudo na vida primitiva, de realidades positivas e de fatos concretos, conhecidos naturalmente dos selvagens, como sempre foram e são conhecidos dos homens civilizados em todas as épocas e em todas as latitudes da Terra.

Somente quando os homens se encastelam em suas próprias realidades, de abstrações mentais, é que essas verdades passam a ser negadas, por uma reduzida elite.

“O materialismo é, portanto, uma espécie de flor de estufa, artificial, cultivada em compartimento de vidro, que isola a mente da realidade complexa da natureza”. J. Herculano Pires

(Referências: J. Herculano Pires. O Espírito e o Tempo: Introdução Antropológica ao Espiritismo. Paideia Editora. São Paulo. 2013. p. 24-26)

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...