ANO: 25 | Nº: 6255

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
05/05/2018 Airton Gusmão (Opinião)

Amar como Jesus nos ama

"No coração de toda pessoa há uma infinita sede de amor, e nós, com o amor que Deus infundiu em nossos corações, podemos saciá-la. Mas é preciso que o nosso amor seja 'arte', uma arte que supere a capacidade de amar meramente humana. Muito, para não dizer tudo, depende disso. Para que resplandeça o amor que vem de Deus, devemos amar a todos, sem excluir ninguém. Somos chamados a ser pequenos sois ao lado do Sol do Amor que é Deus. Sendo assim, todos são destinatários de nosso amor. Todos! Não um 'todos' ideal, ou seja, todas aquelas pessoas do mundo que talvez nunca encontraremos, mas um 'todos' concreto" (Testemunhas da Esperança, François Van Thuan).

Estamos ouvindo neste primeiro domingo do mês de maio, o sexto do tempo pascal, Jesus Cristo dizendo para seus discípulos de ontem e de hoje: "Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai" (Jo 15,9-17).

Sentir-se amado é uma necessidade fundamental de todo ser humano. O Deus invisível se revela no amor humano. A presença divina está onde existe o amor humano, pois o ser de Deus é o amor, como origem e sentido de tudo que existe. Ele nos criou capazes de amar. Antes de cada ser humano existir, ele foi amado por Deus. Não fomos nós que o amamos primeiro, mas foi ele quem nos amou antes de toda a criação e nos convida a entrar nessa sintonia deste amor que nos precede e nos resgata.

A plena humanidade de Jesus se traduz no assumir sentimentos humanos, como por exemplo a ternura, o amor como afeição, a disponibilidade de proximidade e relação concreta, sempre em direção ao bem-querer, à solicitude e ao cuidado dos outros, revelando assim, o coração e o amor do Pai para conosco e o convite para que façamos o mesmo.

O amor maior é de quem dá a sua própria vida por aqueles que ama. Deus não tem inimigos, ama a todos, a começar pelos mais afastados, fracos e desprezados. Foi o que Jesus ensinou com as suas palavras e a sua vida. Ele amou pecadores, pessoas sem nenhum merecimento, sem direito a alguma cobrança.

Quando Jesus chama os seus discípulos de amigos, está falando daqueles que são amados por Ele, por graça do seu amor salvífico. E que por isso mesmo, neste viver concretamente o amor 'como eu vos amei', será avaliado o afeto recíproco dos discípulos, uns pelos outros, reconhecendo assim, o ter sido amados e acolhidos nesta dileção do amor mesmo de Jesus com o Pai.

Esse é o sentido da vinda de Jesus nesse mundo e o valor de seu oferecimento na cruz. Ninguém mais do que Ele realizou o conteúdo do amor misericordioso, dom de si, na gratuidade, com atenção às pessoas diante de suas necessidades.

E aqui vale lembrar aquela exigência de quem quer seguir Jesus Cristo: "Vai e faz tu também o mesmo"(Lc 10,38). Ou seja, os discípulos são colocados no encalço do Mestre, empenhados a viver uma mesma atitude de amor, não com palavras, mas nos fatos e com gestos concretos; numa atitude permanente, profunda e ativa, do comportamento de Jesus e de seu modo de relacionar-se com as pessoas. Aqui entendemos o "como Eu vos amei", dito e vivido por Ele.

Desde já queremos agradecer a Deus, neste mês de maio, de modo especial, pela vida e testemunho de amor de todas as mães. Que Maria, a Mãe do Belo Amor, que é Jesus Cristo, interceda por todas as mães e nos ensine sempre a arte de amar como Jesus, pois Ele é amor. Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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