ANO: 25 | Nº: 6399

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
08/05/2018 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Estratégia de sobrevivência

Existe o momento de lutar, de enfrentar dificuldades com força, empenho e muita energia. Mas também acontece de se passar por momentos em que não há o que fazer, ou se há, ainda não se sabe exatamente o quê. Momentos de dificuldade, de crise, de confusão, de estresse, muita divergência ou de total contrariedade e surpresa são amargos. Entretanto, acontecem mais do que gostaríamos ou, pelo menos uma vez na vida, nos deparamos com esta sensação de cansaço frente à dificuldade.

Este é o momento crucial. Aquele ponto em que faltou fôlego, se esgotou a energia, a paciência já foi desafiada há muito tempo, o corpo cansado agora passa a vez à mente esgotada, por tentar saída sem sucesso. Estamos diante de uma correnteza extenuante. Nesse caso, talvez, seja o momento de fazer o exercício de boiar. Flutuar. Não é nadar com energia buscando a direção desejada. Mas, também não é afundar ao bel prazer das águas. É se deixar levar por um tempo, retomando o pensamento, recobrando a respiração e a autoconfiança, reabastecendo as energias para decidir o próximo passo. Não se trata de covardia, preguiça ou indolência e, sim, da inteligência necessária para a contemplação. Aceitação, reconhecimento e percepção aguçada exigem um intervalo na luta reservada à simples avaliação, ao simples existir, deixar-se levar, aprender, reconhecer. Nessa hora, pode-se fazer um reposicionamento de si mesmo diante da vida e das adversidades.

Antes de nadar se aprende a confiar em si mesmo e na água a partir da flutuação. Flutuar, boiar é exercitar a paciência e a frustração. Afinal, descobrimos que não somos tão eficientes como gostaríamos. Não temos tanta energia quanto imaginávamos. A vida e as pessoas que amamos nos decepcionam a qualquer momento e precisamos sobreviver. E se a energia vital foi totalmente consumida nadando contra a correnteza, podemos morrer afogados com a água pela canela! Hora de aceitar que não vamos resolver agora, talvez nunca... Está na hora de boiar! A prioridade, neste momento, talvez seja outra, descobrir que há coisas importantes, sim, mas que, agora, talvez, não sejam prioritárias! Prioritário, agora, é existir e se reconhecer.

 

OLHO

A vida e as pessoas que amamos

nos decepcionam e precisamos sobreviver

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