ANO: 25 | Nº: 6208

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
09/05/2018 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Lula é o nosso candidato

Lula está preso, mas se mantém em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para presidente da República. Sua prisão lhe conferiu ainda mais apoio porque se evidenciou naquele ato a perseguição que sofre do juiz Moro, que o condenou sem provas e sem provas o mantém encarcerado.
Lula está preso, mas isso não impede a sua apresentação como candidato do PT para as eleições presidenciais. Se sua prisão é considerada injusta pela maioria dos brasileiros, como também indicam as pesquisas, é justo que possam votar nele para manifestarem de forma concreta sua solidariedade e seu apoio.
Lula está preso, mas não porque exerceu corrupção, acusação que não conta com qualquer elemento comprobatório; Lula está preso porque isso é parte da estratégia das elites políticas e econômicas deste País, que querem impedi-lo de voltar a governar. Lula é um preso político. E por isso sua prisão deve ser questionada pelo próprio povo, com o seu nome incluído entre os candidatos presidenciais.
Com Lula presidente, será necessário reconstruir o País. O desmonte praticado por Temer e seus lacaios, após o impeachment, gerou uma tragédia que tem fortes e longas repercussões sobre o futuro de nosso País. O congelamento nos investimentos em saúde, educação e segurança, a reforma trabalhista, a desconstrução dos programas industriais – tais como o Polo Naval –, a desnacionalização do pré-sal, os cortes em pesquisa e produção científica, os cortes no Bolsa Família, etc, etc.
Será preciso, portanto, muito mais do que boas intenções ou apoio popular para levar em frente essa reconstrução, muito mais do que simplesmente Lula na presidência. Será preciso apoio popular, mas também apoio no Congresso. Será preciso forças políticas múltiplas, dispostas e capazes de formular um novo projeto de inclusão social para o Brasil contemporâneo.
Então, é evidente que junto com a candidatura de Lula precisamos organizar um campo político capaz de enfrentar esse desafio. Para isso, o debate precisa se tornar mais amplo do que o tema da prisão injusta de nosso líder político, embora isso seja um fato político relevante para o debate eleitoral.
E o PT precisa assumir o papel de protagonista nesta formulação programática. Hoje, os movimentos sociais e os candidatos da esquerda são agentes que se articulam em torno de planos e projetos para o futuro do Brasil. E o PT precisa estar incluído nesta articulação. É preciso ter interlocução com todos os setores sociais dispostos a este desafio da reconstrução progressista do País. Entendo, portanto, que precisamos avançar na definição da chapa de Lula e na formulação de um programa de governo capaz de sintetizar a voz de todos os que repudiam os retrocessos em curso no País.
O segundo elemento importante de uma estratégia com pretensões vitoriosas é estabelecer claramente nossos aliados e nossos adversários. Boulos, Ciro Gomes e Manuela são, claramente, potenciais aliados nesse processo de reconstrução a que nos propomos. Com maior ou menor aderência e intensidade política, fazem parte de um campo que, certamente, comporá o esforço de reconstrução.
Não é coerente, portanto, praticar uma ação política de crítica ou ataque a qualquer um desses agentes políticos. Ao contrário, é preciso que tenhamos grandeza e qualidade política para estabelecer uma relação de alto nível com esses protagonistas da esquerda brasileira. Criticá-los serve mais aos interesses de quem quer a divisão da esquerda do que aos que querem construir uma candidatura forte e vigorosa deste campo.
Por isso, acho que a candidatura de Lula a presidente, já definida pelo partido, precisa deixar de ser apenas uma ideia e passar a ser um projeto concreto, com propostas, representante público e política de alianças. Fora isso, é repetir um discurso que pode parecer radical, mas é, na verdade, um caminho para o isolamento e para a derrota.

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