ANO: 25 | Nº: 6380
09/05/2018 Editorial

Pelo bem da informação

Fora acompanhar as notícias difundidas pelos canais da imprensa, muito pouco é conhecido sobre os ambientes enfrentados por profissionais que atuam na área de comunicação. Se por um lado o status social de alguns jornalistas renomados ganha espaço em rodas de conversa, as dificuldades encaradas quase que diariamente por uma gama bem maior de trabalhadores até desconhecidos ficam quase que num vácuo.
Contudo, dependendo do cenário visualizado, este debate vem à tona, em pontos específicos. O Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional, por exemplo, aprovou, segunda-feira, proposta que sugere a criação do Observatório da Violência Contra Comunicadores. Sim, profissionais da imprensa enfrentam tal situação, que não é tão corriqueira. Somente neste ano, - frise-se ser maio - dois jornalistas foram mortos no Brasil. E outros 41 casos de violência não letal contra comunicadores foram registrados. Pode parecer pouco para determinados setores, mas não é, tampouco pode ser tolerada.
Na prática, como comentou o conselheiro Davi Emerich, representante da sociedade civil e relator da proposta, "a questão da violência contra jornalistas e comunicadores implica na adoção de atitudes imediatas, como punição, mobilização de polícia e ações legais". Por isso, ressaltou ele, caberá ao Executivo atuar como responsável pelo órgão. "É quem tem os instrumentos para fazer isso", justificou.
Tão necessário quanto à pauta referida, a agenda abordou outro assunto tão ou mais preocupante: as fake news. Como sabe-se, programas já são elaborados para difundir informações falsas na rede mundial de computadores. E, basicamente, para influenciar a sociedade sobre determinadas questões, sejam políticas, econômicas e, até mesmo, religiosas. Ou pior, apenas para difamar. Este debate exige atenção especial. Somente na Câmara dos Deputados, na atualidade, tramitam mais de 10 projetos de lei abordando a questão. Em geral, as propostas visam tipificar a legislação penal e determinar penalizações que coíbam os autores destas notícias legitimamente infundadas.
Ora, se a informação deve preservar não apenas a veracidade, mas critérios morais apresentados a qualquer jovem acadêmico de Comunicação durante sua formação, é inviável garantir estes requisitos caso qualquer um, sem o mínimo de respaldo intelectual e comprometimento para exercer tal função passe a executá-la. Para o bem da informação, qualquer ameaça que seja contra profissionais da imprensa e influências externas à própria difusão de notícias devem ser encaradas e enfrentadas de frente.

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