ANO: 25 | Nº: 6209
10/05/2018 Editorial

Sugestão sobre privatização

A visita do presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Marlon Santos, por Candiota, terça-feira, representou bem mais que uma agenda política. Convidado para um debate que buscava, entre outras questões, tratar a respeito a proposta do governo gaúcho para realização de um plebiscito visando autorização para a privatização de estatais, dentre as quais consta a Companhia Rio-grandense de Mineração (CRM), que possui sua principal jazida na Capital do Carvão, o parlamentar sugeriu uma medida ao Executivo estadual.

Ao invés de se questionar apenas se a população concordava com a privatização, Santos argumentou que o valor estimado das estatais fosse levado à pauta, de forma clara. No caso específico da CRM, questionou a proposta do governo gaúcho de vendê-la por algo em torno de R$ 160 milhões. Isso porque, para ele, o valor real da Companhia – ou os lucros que a mesma pode gerar, são astronomicamente superiores. Numa avaliação feita a partir da constatação do carvão mineral já prospectado, estimou que a estatal vale R$ 65 bilhões – algo baseado no preço pago pela tonelada do mineral, atualmente, pelo mercado.

Apesar da discrepância dos números, não cobrou a comercialização no patamar apontado como preço real. Sugeriu que fosse cobrado “apenas” R$ 1 a cada tonelada de mineral já prospectado junto à mina. Neste cálculo, por exemplo, argumentou que o valor de venda alcançaria nada menos que R$ 100 bilhões. Neste panorama, disse ele, não apenas se revolveria o passivo do Estado com a União – cerca de R$ 50 bilhões – como sobrariam recursos para investir em infraestrutura ou outras demandas do governo.

Numa espécie de desafio, posteriormente, apontou que caso fosse cobrado, na venda, pelo menos 50 centavos a cada tonelada do mineral, a renda já serviria para acabar com as dívidas do governo, recuperando o fôlego financeiro do caixa gaúcho. Neste último cenário, mesmo mencionando não ser a favor da venda, argumentou que, pelo menos, haveria uma justificativa cabível para a privatização.

Em verdade, a manifestação se entrelaçou com o que grande parte dos candiotenses, em especial, argumentam sempre que o tema de privatização da CRM é levantado. Como se sabe, foi a partir da mina e da usina Presidente Médici que o ex-distrito de Bagé alcançou condições financeiras que o levaram a se emancipar de Bagé e, até os dias atuais, contar com um dos maiores orçamentos públicos proporcionalmente ao número de habitantes. De fato, debater os rumos das estatais, na Capital do Carvão, é debater o futuro de todo o município.

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