ANO: 24 | Nº: 5940

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
12/05/2018 Airton Gusmão (Opinião)

A comunicação a serviço da verdade e da paz

O hino da Campanha da Fraternidade de 1979, cujo lema era “Comunicação para a verdade e a Paz”, dizia: “quantas vozes mentirosas, que enganam o humano ser; só defendem os interesses do dinheiro e do poder! Que a comunicação não se canse jamais de estar a serviço da verdade e da paz”.
Neste domingo em que celebramos a Ascensão de Jesus Cristo aos céus, o início da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e, com muita alegria e gratidão, o Dia de todas as Mães, e ouvimos Jesus Cristo dizendo aos apóstolos: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15-20); celebramos o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que tem como tema: “ ‘A verdade vos tornará livres’(Jo 8,32), Fake News e jornalismo de paz”, acolhendo a mMensagem do Papa Francisco para esta data.
Sobre a comunicação no projeto de Deus o Papa diz que “a comunicação humana é uma modalidade essencial para viver a comunhão e que o ser humano é capaz de expressar e compartilhar o verdadeiro, o bom e o belo”. Mas também existe o perigo, motivado pelo orgulho e egoísmo, de que “o homem pode usar de modo distorcido a própria faculdade de comunicar, existindo assim, a alteração da verdade, tanto no plano individual como no coletivo”.
Em sua mensagem, falando da fidelidade do homem a Deus, ele afirma que “a comunicação torna-se lugar para exprimir a própria responsabilidade na busca da verdade e na construção do bem’.
Falando sobre o fenômeno das “notícias falsas”, as chamadas fake news, ele diz que “esta expressão é objeto de discussão e debate, que diz respeito à desinformação transmitida on-line ou nos mass-media tradicionais; se refere a informações infundadas, baseadas em dados inexistentes ou distorcidos, tendentes a enganar e até manipular o destinatário”.
Sobre a intenção e finalidades destas notícias falsas, ele fala ainda que “tais notícias são capciosas, hábeis a capturar a aceitação dos destinatários, apoiando-se sobre estereótipos e preconceitos generalizados, explorando emoções imediatas para suscitar a ansiedade, o desprezo, a ira e a frustração; elas revelam a presença de atitudes simultaneamente intoleráveis e hipersensíveis, cujo único resultado é o risco de dilatar a arrogância e o ódio. As mesmas propagam-se pelo fascínio que detêm sobre a avidez insaciável que facilmente se acende no ser humano. As motivações econômicas e oportunistas da desinformação têm a sua raiz na sede de poder, ter e gozar”.
Para enfrentar esta realidade das ‘notícias falsas’, o Papa fala da importância de “educar para a verdade”, ou seja, “ensinar a discernir, a avaliar e ponderar os desejos e as inclinações que se movem dentro de nós; deixar-se purificar pela verdade”. Sobre a verdade na visão cristã, ele diz que “verdade é aquilo sobre o qual podemos nos apoiar para não cair. O único ‘verdadeiro’ é o Deus vivo: Jesus diz ‘Eu sou a verdade’ (Jo 14,6)”.
Continuando sobre a verdade neste desafio da comunicação, ele afirma que se faz necessário discernimento: “é preciso examinar aquilo que favorece a comunhão e promove o bem e aquilo que, ao invés, tende a isolar, dividir e contrapor. A partir dos frutos, podemos distinguir a verdade dos vários enunciados: se suscitam polêmica, fomentam divisões, infundem resignação ou se, em vez disso, levam a uma reflexão consciente e madura, ao diálogo construtivo, a uma profícua atividade”.
Ainda refletindo sobre a verdadeira notícia e sua relação com o jornalismo, o Papa considera que “se a via de saída da difusão da desinformação é a responsabilidade, particularmente envolvido está quem, por profissão, é obrigado a ser responsável ao informar, ou seja, o jornalista, guardião das notícias”.
Por isso, ele pede que “se promova um jornalismo de paz”. Dizendo ainda: “Penso num jornalismo sem fingimentos, hostil às falsidades, a slogans sensacionais e a declarações bombásticas; um jornalismo feito por pessoas, para as pessoas, e considerado como serviço a todas as pessoas, especialmente àquelas que não têm voz”.
Nossa gratidão e oração a Deus por todas as mães no seu dia. Convidamos para a Celebração Ecumênica de encerramento da Semana de Oração pela Unidade Cristã, que acontecerá no domingo, dia 20, às 16 horas, na Catedral São Sebastião, contando com a presença das igrejas Anglicana e Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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