ANO: 24 | Nº: 5940

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
12/05/2018 José Artur Maruri (Opinião)

A cura do ódio

“Antes, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer, se tiver sede, dá-lhe de beber. Agindo desta forma estarás acumulando brasas sobre a cabeça dele”. (Romanos 12:20)
Infelizmente, sabemos que estamos a viver um dos momentos mais turbulentos da história.
Cidadãos de um mesmo país que se colocam uns contra os outros por pensarem de forma diferente. Pessoas que se violentam para não abandonar o orgulho de uma teoria que, se sabe, errônea. Seres humanos que em razão de uma camiseta de time de futebol agridem-se e agridem até mesmo crianças em praças esportivas.
Afora isso, os discursos de ódio pululam aos borbotões nas chamadas redes sociais, gerando discórdias, cismas, preconceitos, mais violência.
Segundo o Espírito Emmanuel, em psicografia de Francisco Cândido Xavier, não é diferente “quando o homem, decidido ao serviço do bem, encontra fileiras de adversários gratuitos por onde passe, qual ocorre à claridade invariavelmente assediada pelo antagonismo das sombras”.
O Espiritismo, calcado na certeza da imortalidade da alma, bem como das reencarnações sucessivas, fundamenta o Espírito Emmanuel quando este afirma que, às vezes, por equívocos do passado ou por incompreensões do presente, é defrontado por inimigos mais fortes que se transformam em constante ameaça à sua tranquilidade.
Para Emmanuel, contar com inimigo desse jaez é padecer dolorosa enfermidade no íntimo, quando a criatura ainda não se afeiçoou a experiências vivas no Evangelho.
Por mais que o aprendiz tente buscar uma conciliação, embasado na boa vontade, os corações de quem tem o ódio no íntimo são impenetráveis aos melhores gestos de amor.
Quando imersos em situações assim, Emmanuel busca receita no Livro Divino que prescreve: “não agravar atritos, desenvolver discussões e muito menos desfazer-se a criatura bem-intencionada em gestos bajulatórios. Espera-se pela oportunidade de manifestar o bem”.
Nessa linha, independentemente do ódio que é nutrido contra o aprendiz do Evangelho não existe caminho a ser trilhado que não seja através do amor e da caridade, antídotos contra o ódio, fruto do orgulho e do egoísmo.
“Um discípulo sincero do Cristo liberta-se facilmente dos laços inferiores, mas o antagonismo de ontem pode persistir muito tempo, no endurecimento do coração. Eis o motivo pelo qual dar-lhe todo o bem, no momento oportuno, é amontoar o fogo renovador sobre a sua cabeça, curando-lhe o ódio, cheio de expressões infernais”.

(Referências: “O Evangelho por Emmanuel”. Comentários às Cartas de Paulo. Coordenação de Saulo Cesar Ribeiro da Silva. Editado pela Federação Espírita Brasileira no ano de 2017. p. 93-94)

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