ANO: 24 | Nº: 5940

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
12/05/2018 Marcelo Teixeira (Opinião)

O Brasil que eu quero

O Brasil que eu quero não é muito diferente do Brasil que a esmagadora maioria dos brasileiros quer também! É o que posso concluir após assistir vários depoimentos veiculados pela Rede Globo em uma série exibida nos seus telejornais.
Quando lançaram a campanha para que os telespectadores contribuíssem com vídeos de até 15 segundos, revelando qual o Brasil que eles queriam, confesso que cheguei a pensar em enviar um e já tinha até escolhido o cenário: a Catedral de São Sebastião.
Mais por preguiça do que por qualquer outro motivo, acabei não fazendo o vídeo e, hoje, me parece que foi a “decisão” mais acertada, pois, por uma incrível coincidência, vários depoimentos escolheram como tema aquilo que tinha planejado falar. Apesar da identidade do tema, não vi vídeo que fizesse a abordagem que tinha pensado, mas, mesmo assim, foi suficiente para virar “lugar comum” e neutralizar a mensagem, ou seja, seria apenas mais uma mensagem, sem maior relevância.
Essa padronização da forma e a coincidência dos temas fazem lembrar das campanhas eleitorais, onde é praticamente impossível fazer um discurso diferente, criativo, que se destaque e distinga dos demais. Tudo fica muito parecido e, após muitas repetições, fica mais insosso que picolé de chuchu.
Nesse sentido e nesse caso, se não é para fazer a diferença é melhor nem fazer, pois se trata de uma ação sem consequência. Ora, se o objetivo da campanha é orientar ou inspirar os eleitores a fazer boas escolhas na hora de votar, seria importante passar uma mensagem que se destaque, que efetivamente seja inspiradora e que faça a diferença. Para fazer aquilo que todo mundo faz, é melhor ficar na plateia aplaudindo do que subir no palanque só para aparecer, alimentando a vaidade com quinze segundos de fama.
Mesmo sendo uma produção da “Globo golpista”, a representante maior da mídia corporativa burguesa, altamente suspeita em tudo que faz e produz, a identidade do discurso e a coincidência dos temas apresentados na série “O Brasil que eu quero” permite aos crédulos suspeitar que, apesar da divisão política entre coxinhas e mortadelas, petralhas e bolsominions, esquerdopatas e antipetistas, é provável que haja muito mais coisas em comum nos anseios comunitários de todos nós do que supõe a vã ideologia dos céticos.
E é com essa esperança de consenso, compreensão e respeito que encerro revelando, também, o Brasil que eu quero. Gostaria de viver em um país onde o lema estampado na sua bandeira estivesse completo. Era para estar escrito AMOR, ORDEM E PROGRESSO no centro de nossa bandeira, para ser fiel ao autor do lema positivista, Auguste Comte que sentenciou "L'amour pour principe et l'ordre pour base; le progrès pour but." (O amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim.) Porém, por alguma razão ainda não esclarecida, foi retirada a palavra amor. Logo o amor! Exatamente aquilo que o Brasil e o mundo mais precisam. Mais amor, por favor!

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