ANO: 24 | Nº: 6061

Divaldo Lara

divaldolara@gmail.com
Prefeito de Bagé
14/05/2018 Divaldo Lara (Opinião)

Momentos delicados da vida requerem espaços de proteção

Quem, em algum momento da vida, não passa por algum momento delicado e que precisa de proteção e atenção? São muitos os casos, e esta coluna não seria suficiente para falar em todos, nem na maioria. Entretanto, escolhi abordar pelo menos duas dessas questões nas quais nosso governo está trabalhando em novidades de amparo para os bajeenses.
A primeira questão, e talvez a que cause maior comoção, é quando esse momento delicado na vida, ocorre precocemente, quando ainda não se tem os mecanismos necessários para lidar com os problemas. Me refiro às crianças, aquele ser ainda indefeso que deveria ser protegido, amado e respeitado e que, ao contrário disso, são vítimas de problemas sociais, os quais não compreendem e, consequentemente, não conseguem se defender.
Frequentemente chega ao meu conhecimento os mais diversos tipos de casos, quase como um apelo de socorro. E, nessas horas, agradeço mais uma vez a oportunidade que os bajeenses me deram de governar nosso município e poder, agir, efetivamente, também nesse sentido.
Em Bagé, temos, há tempos, dois locais que abrigam crianças em estado de vulnerabilidade, a Casa da Menina, sob tutela da Urcamp e a Casa do Guri, mantida pelo governo municipal e que prestam um grande serviço à nossa comunidade. Entretanto, um caso específico, me chamou atenção recentemente. O de duas crianças, dois irmãos de sexos diferentes, que além de precisarem ser separados dos pais, iriam também separar-se dos irmãos, por conta da distinção entre meninos e meninas das duas casas. Nesse momento, senti que, no nosso município, faltava algo mais.
Desde então, começamos a elaborar o projeto de uma nova casa que abrigasse irmãos, independente do sexo e que pudesse manter a referência familiar entre eles, não expondo a criança a um ambiente 100 por cento desconhecido. O local escolhido foi o antigo Lar Santo Estêvão, que está em plena reforma e que oferecerá, muito em breve, a devida proteção, carinho e amparo aos pequenos que, por ventura, necessitarem.  
Outro momento que merece cuidado é quando passamos por problemas de saúde e para este, estamos preparando outro espaço, também em reformas e prestes a inaugurar. É a casa de hospedagem em Porto Alegre, para pacientes que necessitam de tratamento fora do nosso município e que não têm onde se abrigar durante estse período de fragilidade.
Entendo que, nessa hora, a preocupação maior do paciente deva ser com o tratamento da própria saúde e por isso, nosso governo tem se preocupado em oferecer todo o suporte possível.
Durante todo o ano de 2017, nos dedicamos a melhorar equipamentos de saúde, inclusive na sistemática de viagens para a Capital, oferecendo um serviço mais adequado no transporte, garantindo ao paciente, escolher o horário de retorno, mais proteção durante a espera do ônibus, utilizando a sala vip na rodoviária e vans que levam o paciente até o local do atendimento,  através do convênio que fizemos com a empresa Ouro e Prata.  Isso tudo, sem mencionar a renovação da frota de carros da saúde, com mais 12 veículos.
Pois bem, resolvidas as questões das viagens, passamos ao próximo passo, a casa de hospedagem. Dedicada a isso, uma  equipe de funcionários da Smasi (Secretaria de Assistência Social, Habitação e Direitos do Idoso), além do próprio Secretário Esquerda Carneiro colocam, literalmente, a mão na massa, reformando, obtendo as devidas licenças, fazendo as adaptações, de modo a oferecer  a primeira casa de hospedagem em outro município, oferecida pelo governo de Bagé e que poderá abrigar cerca de 50 pessoas por vez.
Durante muito tempo, meu irmão, o Deputado Luís Augusto Lara, manteve uma casa na capital com essa finalidade, com recursos próprios e cuja ajuda auxiliou e salvou muitas vidas.  
Um ambiente assim, com pessoas da mesma cidade, mesmo que inicialmente estranhas entre si, funciona como local de apoio mútuo que, por situações semelhantes, amparam-se entre si.  
Convivi de perto com as pessoas abrigadas, quando morei em Porto Alegre e acompanhava os dramas, as histórias, as vivências de cada um. Relatos de como já haviam dormido em saguão de hospital, de rodoviária, embaixo de marquises, passado a noite acordado em praças ou se alimentado mal, por falta de condições financeiras, fazem questionar sobre humanidade e apoio.  
Esses dois espaços têm um sentido especial para mim, são sonhos que estamos tornando realidade para salvar vidas, seja psicologicamente da criança em desamparo quanto de  qualquer cidadão em estado de fragilidade na saúde.  
São mais do que prédios, são vidas sendo  protegidas, zeladas. Esse é nosso bem maior e por isso, deve ser cuidado acima de tudo. Mais uma vez, agradeço aos bajeenses por estar na prefeitura e dessa forma, podermos realizar juntos, esse amparo.

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