ANO: 25 | Nº: 6384
15/05/2018 Segurança

“Príncipe do Júri” participará de julgamento em Bagé

Foto: Antônio Rocha

Weinmann conta seus trabalhos e sua vida
Weinmann conta seus trabalhos e sua vida

Um dos advogados mais antigos em atuação no País, Amadeu de Almeida Weinmann, 83 anos, irá participar, hoje, como assistente da defesa do bajeense Décio Raul Floriano Lahorgue, no julgamento de Ricardo Abdallah Silva. O profissional é considerado, por seus colegas, como o “Príncipe do Júri”.

Formado na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, natural de Ijuí, Weinmann conta com orgulho dos casos em que conseguiu absolvições de seus clientes, mesmo tendo ingressado na atuação do direito penal através de um pedido de uma colega. “Não sabia ao certo o que queria, mas já estava ingressando nos casos cíveis, com o distinto ex-ministro, bajeense Paulo Brossard. Foi, então, que fui convidado por uma colega para auxiliar em um júri popular, em Porto Alegre e, a partir daí, com a absolvição da ré (uma mulher acusada de homicídio), comecei a minha atuação na área criminal”, explica.

O advogado criminalista conta com riqueza de detalhes os casos onde conseguiu absolver seus clientes. “Depois dessa situação, um casal me procurou, pois a mulher estava respondendo um processo criminal e, então, fiz sua defesa e acabei, novamente, conseguindo mais uma absolvição. Com isto, fui chamado no Tribunal do Júri para trabalhar e receber por cada júri, pois, dos três defensores, somente um estava em atuação e tinha muitos júris já marcados. Eu fazia, em média, oito julgamentos por mês, recebia meio salário por cada e, em 1971, fiz um curso de pós-graduação em Ciências Penais e defendi uma tese, me tornando doutor e começando a dar aulas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul”, conta.

Com 13 livros publicados, o “Príncipe do júri” ficou conhecido por atuar em processos importantes, como o Caso Daudt (deputado, o médico Antônio Carlos Dexheimer Pereira da Silva foi acusado pela morte, a tiros de espingarda, de outro parlamentar, o jornalista José Antônio Daudt. Os dois eram amigos e parlamentares do PMDB, que, à época, comandava o Piratini e a Assembleia). Weinmann atuou como auxiliar do Ministério Público em um júri que durou cerca de três dias.

O advogado recorda com mais destreza o caso do padre Jaques, morto por uma facada, em Passo Fundo, desferida por um jovem de 18 anos recém-completados. “Fui chamado pela família do jovem para defendê-lo, o júri estava marcado para alguns dias depois que cheguei na cidade. Com a alta repercussão, o juiz da época não queria adiar a audiência, então comecei a averiguar algumas coisas, encontrei um jornalista da Zero Hora e ele me pediu carona e me disse que o padre era considerado um santo, baseado neste fato pedi que ele publicasse isso no jornal, o que foi feito dois dias depois. Então, com isso, consegui um “desaforamento” do caso e o júri acabou sendo realizado em Cruz Alta”, lembra.

Seguindo a contar o fato, o advogado fala orgulhoso que descobriu “os casos homossexuais” do padre com jovens. “Quando descobri esse fato consegui montar a minha defesa, a família com muita vergonha e o réu também não queriam que eu falasse sobre isso. Mas, com este dado, consegui o absolver, pela legítima defesa da honra. Com isto, alavancou minha carreira, e então fiquei muito conhecido. O jovem, muito agradecido, saiu comigo e conseguiu se reerguer. Hoje sou padrinho do primeiro filho dele”, completa.

Weinmann estudou dois anos no Colégio Auxiliadora de Bagé e atuou em três júris na cidade. Teve quatro filhos, sendo que um deles foi assassinado em Porto Alegre, como contou, à reportagem, com tristeza no olhar. “Meu filho, por uma situação do destino, foi assassinado. Ele era o único que tinha inclinação para a advocacia. Tenho dois filhos médicos e uma filha que trabalha com turismo. Minha esposa é jornalista e hoje trabalha com moda. Vou continuar trabalhando até morrer. Eu amo o Tribunal do Júri, amo o meu trabalho”, encerra a entrevista, alegando estar alegre em retornar à Rainha da Fronteira e participar, novamente, de outro júri popular.

Mais imagens

Deixe seu comentário abaixo

Em tempo real

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...