ANO: 25 | Nº: 6256

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
19/05/2018 Marcelo Teixeira (Opinião)

No Bad Boys

A fase tricolor anda tão boa que a torcida está convencida – ou se convencendo – de que o seu time é uma seleção. Para muitos, bastaria colocar o manto canarinho no atual campeão da América e nenhuma outra seleção mundial teria a menor chance lá na Rússia. Mazááááá!!! Vai ser balaqueiro assim lá na Padre Leopoldo Brentano.

O convencimento é tanto que alguns reclamaram a não convocação, pelo Tite, do Luan e do Arthur. Nesse sentido, como colorado e depois da última atuação do Inter, sinto-me encorajado a reclamar, também, que o Tite não convocou o Moledo, por exemplo, só para não deixar os rivais sem resposta!

Brincadeiras a parte, o certo é que tirando este pequeno grupo de tricolores fanáticos que lamentaram a não convocação do Arthur e do Luan, nunca antes na história deste país uma convocação para a Copa do Mundo foi tão pouco contestada quanto essa. É certo que contribuiu para isso o inequívoco e crescente desinteresse da torcida pela seleção brasileira, mas, principalmente depois do “trauma” do 7 a 1, o reconhecimento do excelente trabalho do gaúcho Adenor Leonardo Bachi, o Tite.

Com o que há de mais qualificado em termos de talento futebolístico e dominando como poucos a teoria dos esquemas táticos, Tite conseguiu colocar em prática um estilo de jogo muito eficiente. É verdade que, para o meu gosto, é mais eficiente do que encantador, mas como é assim que se ganha atualmente, que assim seja e que venha o hexa.

Além de não ter sido contestada, a convocação do Tite revelou muita coerência com o trabalho que vinha sendo feito. Pouca ou nenhuma surpresa entre os convocados, mas, sobretudo, me chamou a atenção um outro detalhe. Salvo melhor juízo, a seleção do Adenor não conta com nenhum “bad boy”. O bom-mocismo salta aos olhos e ainda que os “bad boys” nunca tenham sido maioria nas seleções canarinho, quase sempre as convocações para a copa do mundo contam com algum exemplar. Jogadores que apesar de um comportamento extracampo polêmico ou pouco recomendável, apresentam virtudes técnicas que justificam sua convocação. Na última Copa, por exemplo, tinha o Fred e o Jô. Na de 2010, o Felipe Melo. Na de 2006, o Adriano e o Fred. Na de 2002, a do penta, o Ronaldinho Gaúcho e o Vampeta. E assim por diante.

Talvez tenha esquecido de algum e talvez não conheça muito bem os convocados do Tite, mas, dessa vez, parece que a seleção convocada, além de reunir jogadores tecnicamente talentosos, reuniu, também, jogadores moralmente inatacáveis. Disciplinados, focados, sérios, de altíssimo rendimento, enfim, atletas profissionais e, salvo melhor juízo, cristãos fervorosos como o técnico.

Se assim for – e tomara que seja – minha torcida só aumenta, pois se eles saírem vitoriosos desta copa, irão reforçar a importância dos bons valores para o sucesso profissional e pessoal. Em um país que sente tanto a falta de seriedade, de repente, o esporte bretão pode ser importante para apontar este caminho para um futuro promissor. Amém!

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