ANO: 25 | Nº: 6256

Rochele Barbosa

rochelebarbosa@gmail.com
Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
21/05/2018 Caderno Minuano Saúde

Maio Vermelho: Campanha de prevenção e combate ao câncer de boca

Foto: Divulgação

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O câncer no Brasil é um problema de saúde pública. Desde 2003, as neoplasias malignas constituem-se na segunda causa de morte da população. O câncer, segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer) é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo. O câncer de boca é umas dessas doenças, e inclui os lábios, língua e mucosas da cavidade oral, podendo afetar ossos, músculos e outros tecidos dessa região. É o quinto tumor mais frequente em homens e o sétimo em mulheres. No Brasil, o Instituto do Câncer (Inca) estima que, em 2018, em torno de 590 mil novos casos (em geral) irão surgir. Na região Sul do Brasil, estima-se 15,40 novos casos de Câncer de Boca para cada grupo de 100 mil habitantes para homens e para mulheres 3,60.

O estomatologista e cirurgião Bucomaxilofacial, Pedro Orabe, destaca que, levando em consideração esses números e a população de Bagé, espera-se em torno de 23 casos de Câncer de Boca em 2018. Se levarmos em conta que a Rainha da Fronteira é um centro regional em saúde, esses números devem aumentar bastante.

Hoje, a Associação Brasileira de Odontologia (ABO)– Regional Bagé, presidida pela cirurgiã dentista, Tânia Bispo, realiza o curso: Câncer Bucal – do diagnóstico aos cuidados paliativos, com o palestrante José Ricardo Sousa Costa, que é cirurgião-dentista em cirurgia Bucomaxilofacial; mestre e doutorando em Diagnóstico Bucal, às 19h30min, na sede da ABO, avenida Sete de Setembro, nº245.

Nesta edição, Orabe irá explicar o que é Maio Vermelho, como identificar, prevenir e tratar. O dia 31 de maio é o 'Dia estadual de combate ao câncer de boca'.

Fatores de risco

O principal fator de risco é o fumo, cerca de 90% das pessoas acometidas de câncer de boca são fumantes, e o risco aumenta de acordo com a quantidade de fumo consumida, destaca o especialista Pedro Orabe. "A fumaça do cigarro, cachimbo ou charuto, pode causar a doença em qualquer parte da boca ou garganta, laringe, esôfago, pulmões, rins, bexiga, além de outros órgãos. O fumo passivo também é um risco, ou seja, pessoas não fumantes que estejam em espaços fechados e outras fumando", explica.

Outros fatores importantes são: a idade e o sexo. Nas estatísticas, homens com mais de 40 anos representam a maior parte dos casos, entretanto, observa-se o aumento de casos entre as mulheres, o que pode estar relacionado às mudanças de estilo de vida, completa Orabe. "O consumo de álcool em excesso associado ao fumo aumenta o risco de câncer bucal de forma exponencial. Traumas crônicos como próteses mal adaptadas e dentes quebrados causam ferimentos nas mucosas e podem favorecer a ação de agentes carcinogênicos, como o fumo e o HPV. O Papiloma Vírus adquirido em relação sexual oral sem proteção ou pelo beijo, é um fator comprovado de risco ao câncer de boca. O fator genético também deve ser levado em consideração, como fator de risco", salienta o profissional.

Sintomas

Orabe comenta que o principal sintoma é o aparecimento de uma úlcera em qualquer área dos lábios ou parte interna da boca, diferentemente das aftas que são úlceras muitos doloridas, as ulcerações que representam tumores de boca são assintomáticas, é importante informar que qualquer lesão que não cicatrize em 15 dias deve realizada biópsia. "Outros sintomas que podem ser encontrados são: manchas brancas, avermelhadas ou enegrecidas nas mucosas da boca, inchaço nos maxilares, dentes que ficam frouxos repentinamente, mau hálito persistente, áreas adormecidas, emagrecimento repentino, nódulos no pescoço, dificuldade de falar, mastigar ou engolir", complementa.

Prevenção e diagnóstico precoce

O cirurgião ressalta que devemos ter uma boa higiene oral, afastar os fatores de risco conhecidos, como fumo e álcool. Evitar exposição ao sol em horários que ele é mais forte ou fazê-lo com a proteção de chapéu, filtro solar e protetor labial. Consultar seu cirurgião – dentista ou o especialista o estomatologista, ao menos, uma vez ao ano como rotina. Manter uma alimentação saudável e rica em vegetais e frutas. "E realizar o autoexame de boca, a cavidade oral por sua localização e fácil acesso favorece que a própria pessoa se examine e encontre alguma alteração da normalidade. Recomenda-se que o autoexame de boca seja realizado pelo menos a cada meses meses", salienta.

O Câncer de boca diagnosticado em fases iniciais apresenta 85% de chances de cura, a confirmação do diagnóstico é através da biópsia, e, em caso positivo, o paciente é encaminhado ao serviço de oncologia para tratamento.

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