ANO: 25 | Nº: 6282

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
23/05/2018 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

A linha psicológica dos R$ 5,00 da gasolina

Acordamos na terça-feira, 22, com mais um aumento no preço dos combustíveis. É o 11º em pouco mais de 15 dias. A explicação do governo para a alta volatilidade dos preços (sempre para cima, evidentemente) é a conjuntura internacional e a nova política da Petrobrás, de ancorar o preço de venda do combustível ao valor do mercado internacional.
Quer dizer, a Petrobrás (que é nossa, lembram?) não está nem aí para as necessidades dos consumidores e da economia brasileira e repassa para os consumidores o valor do combustível no mercado internacional, sem se importar com as profundas diferenças de renda e de dependência da nossa economia ao combustível fóssil.
Em Bagé, essa política fez com que ultrapassássemos a barreira psicológica dos cinco reais por litro de gasolina. O diesel, por sua vez, reajustou em 12,3% apenas no mês de maio, muitíssimo acima da inflação, que é uma das âncoras da narrativa governamental. Recentemente, Temer e sua gangue investiram milhões em publicidade para dizer que a inflação baixa era um dado positivo de seu governo.
É bom lembrar, neste momento, que o governo Dilma sofreu com um forte movimento desestabilizador dos empresários do transporte por conta de um valor do combustível que era menos da metade deste que aí está. Naquele momento, há pouco mais de dois anos atrás, o movimento trancou rodovias e demonstrou uma radicalidade em atos e discursos que não se vê nos dias de hoje. É certo que a amplitude da cobertura jornalística naquela época, comandada pela Rede Globo, dava uma dimensão muito maior para o movimento.
O que interessa do ponto de vista político e, principalmente do ponto de vista da política econômica, é que os protagonistas do golpe contra Dilma – políticos, empresários e ideólogos da comunicação –, como se percebe, não tinham qualquer proposta capaz de superar os problemas que o Brasil estava passando por conta das turbulências internacionais.
Ao contrário, o modelo implementado a partir de Temer ampliou a dependência de nossa economia (inclusive na definição dos preços internos), cortou investimentos sociais e de infraestrutura e manteve o Brasil estagnado, ampliando o espaço dos banqueiros e dos superricos sobre a renda nacional, ampliando celeremente os índices de desigualdade. O slogan inconsciente da prestação de contas do governo Temer “o Brasil voltou 20 anos em 2” é sintético desta realidade trágica que vivemos.
O esperado é que essa “ficha” caia para amplos setores da população. Os números das recentes pesquisas eleitorais, que mantém Lula em primeiro lugar (embora ele sofra uma condenação injusta), é um indicador que as pessoas estão percebendo, aos poucos, que o golpe é, também, contra elas, contra os interesses e as necessidade da maioria esmagadora dos brasileiros.
A crise dos combustíveis precisa ser entendida no contexto da nova política desenvolvida por Temer e seus aliados, incluindo o tucano presidente da Petrobrás (que já foi, também, presidente do Grupo RBS). Essa política submete nossas reservas e riquezas energéticas à dinâmica do mercado internacional, leia-se, aos interesses das grandes petrolíferas e dos grandes conglomerados financeiros que são os seus controladores. É assim que o pré-sal é aberto à exploração por empresas estrangeiras e a Petrobrás passa a praticar uma política de preços que se adapta ao jogo econômico-militar que circunda a economia do petróleo em nível mundial.
Essencialmente, são entreguistas das riquezas nacionais. Uma visão em que o povo, aquele que precisa pagar pela gasolina e amarga o reajuste dos preços de alimentação por conta do valor do transporte na composição desses preços, é que deve pagar pela “estabilidade” da economia. É por isso que nossos gritos estão cada vez mais atuais: Fora Temer! Lula Livre!

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