ANO: 24 | Nº: 8084

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
30/05/2018 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Crise dos combustíveis: o que Moro e Parente têm a ver com isso?

Recentemente, circulou nas redes sociais uma foto que registra o encontro entre Pedro Parente, o atual presidente da Petrobras (ainda não renunciou?), com o juiz Sérgio Moro. Ambos de gravata borboleta, em festa de gala, sorriem e parecem se divertir. O encontro ocorreu antes do início da crise dos combustíveis que hoje nos assola, mas diz muito sobre o que está acontecendo.
Parente é um executivo cultuado pelo mercado, mesmo tendo sido responsável pela crise de desabastecimento de energia, o famoso apagão, no governo de Fernando Henrique Cardoso. Sua fama, basicamente, é gerar dividendos para os acionistas. É sócio de uma empresa, chamada Pravda, que gerencia os recursos de 20 milionários. Segundo informações recentes, tem vínculos empresariais, também, com o presidente do JP Morgan, para quem a Petrobras, durante a sua gestão, adiantou R$ 2 bilhões a título de um pagamento de empréstimo que só venceria em 2022.
O executivo, que, como se sabe, tem vínculos explícitos com o PSDB, já foi, também, executivo do grupo RBS e da Bunge Alimentos e mesmo agora, quando preside a maior empresa pública brasileira, foi eleito presidente do Conselho Administrativo da BRF. Trata-se, portanto, de um agente importante do mercado, com vínculos e relações fortes com os super-ricos e com a mais alta elite industrial e financeira do Brasil.
Pois Parente foi colocado na presidência da Petrobras para desenvolver uma gestão com foco no mercado, quer dizer, subordinar uma empresa estratégica brasileira à lógica da formação de preços internacional, dominada, como se sabe, pelos grandes oligopólios americanos e europeus em conluio com os países produtores do oriente-médio. O evidente aumento do custo, neste caso, é, sempre, um ótimo negócio para os acionistas.
O atual presidente da Petrobras tem tanto poder em Brasília que o fraco e esquálido governo que resta resolveu bancar as reivindicações dos caminhoneiros com o dinheiro do tesouro, leia-se dinheiro do povo brasileiro. Tudo para não incidir sobre a lucratividade dos acionistas privados da empresa petrolífera brasileira. O argumento é de que se a Petrobras tivesse que arcar com a diferença de custo, perderia valor.
Tudo bobagem. Os próprios petroleiros já denunciaram que houve, na gestão de Parente, uma diminuição significativa na produção de combustível nas refinarias brasileiras e um aumento nas importações. E a crise gerada por esta política de preços já significou uma diminuição de valor na Companhia em torno de R$ 120 bilhões até a data da publicação deste artigo.
Parente entra na Petrobras quando ela está sob ataque de Moro, em sua missão que se diz moralizadora, (embora agora as coisas comecem a ficar mais claras). O juiz paranaense resolve focar sua ação na maior empresa pública brasileira e, de forma sistemática e crescente, vai destruindo a capacidade da empresa em produzir riqueza e ancorar o desenvolvimento brasileiro, como vinha fazendo no período imediatamente anterior aos processos movidos por ele contra a empresa.
O combate à corrupção é um compromisso de qualquer governante de princípios republicanos. Por isso, inclusive, os governos Lula e Dilma impulsionaram e qualificaram o trabalho do Ministério Público e da Polícia Federal. É preciso, entretanto, ter compromisso com o Brasil quando se age para desconstituir os focos danosos de desvios de recursos públicos.
Moro, em sua ânsia de enfraquecer uma visão política, econômica e ideológica – responsável por tornar a Petrobrás uma das maiores empresas internacionais de combustível e articular a sua existência como empresa a um projeto soberano de país –, acabou por desconstituir a própria soberania do Brasil.
Não por outro motivo, a fragilização da gestão anterior serviu apenas para criar as bases de uma política entreguista, que diluiu o domínio nacional sobre os recursos do pré-sal, destruiu a cadeia produtiva do petróleo e dos polos navais, e, agora, demonstra sua incapacidade de gerenciamento de preços condizentes com a realidade brasileira, criando a maior crise pela qual o Brasil já passou em sua história contemporânea.
Neste contexto, de crise e profunda desconstituição de legitimidade das instituições, é preciso ter muita responsabilidade. A solução para a crise, como dizemos há dois anos, é o retorno da democracia e de um governo que seja representativo da maioria do povo. A democracia, com eleições livres e diretas, é o único caminho possível para superar essas políticas de desmonte do patrimônio brasileiro, que tem nesses dois agentes (Moro e Parente) a representação mais visível de como os interesses estrangeiros e privados agem sobre nossas riquezas, mesmo que precisem, para isso, destruir nossa estabilidade política e nossa economia.
Não ao golpe. Sim à democracia.

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