ANO: 25 | Nº: 6381
07/06/2018 Segurança

Delegada divulga identidade de acusado por sequestro relâmpago e estupro

Foto: Divulgação

Acusado, Maico Ferreira da Silva, 28 anos
Acusado, Maico Ferreira da Silva, 28 anos

Maico Ferreira da Silva, de 28 anos. Esta é a identidade do acusado de ter cometido, na manhã de segunda-feira, um crime que chocou a comunidade bajeense. Ele teria sido o responsável pelo sequestro relâmpago e estupro de uma mulher de 35 anos, delito que iniciou próximo a uma escola do centro da cidade, onde a vítima foi abordada.
Segundo a investigação da Delegacia Especializada ao Atendimento à Mulher (Deam), o crime ocorreu por volta das 8h de segunda-feira, quando a vítima estava deixando o filho na escola. Quando ela foi pegar seu carro, que estava estacionado na rua José Otávio, o acusado se aproximou e invadiu o veículo, tirando a mulher da direção e ligando o automóvel. Após, o homem saiu correndo, em alta velocidade, ameaçando a mulher. Silva estaria armado com uma faca.
A titular da Deam, delegada Carem Adriana do Nascimento, ao divulgar a identidade do acusado, ontem, contou que ele andou por diversas ruas, sempre correndo com o veículo e, após, foi em direção à Vila Vicentina e acessou um rua paralela, indo em direção ao bairro das Laranjeiras. Em uma rua "praticamente deserta", tendo de um lado moradias e do outro um mato, ele, então, sob ameaça, abusou sexualmente da vítima. "A vítima ressaltou que ele pedia dinheiro e que iria correr muito e iriam morrer juntos. Roubou um anel dela e somente parou de abusá-la quando passou um pedestre”, contou.
O homem somente desceu do carro após chegar próximo ao Residencial Charrua, quando saiu caminhando e deixou a vítima. “Ela, muito nervosa, conseguiu falar com amigos e, então, entraram em contato com a Brigada Militar, que a encaminhou à delegacia”, explicou.
Carem enfatizou o trabalho da rede de apoio. “Tudo foi feito na ordem correta, desde o primeiro momento. A Brigada Militar auxiliou muito, trouxe a vítima até a Deam. Depois levamos ela no Posto Médico Legal, onde foi feito o exame de corpo de delito. Após, acompanhamos ela no Serviço de Atendimento Integral à Sexualidade (Sais), onde foi realizado exames para doenças sexualmente transmissíveis e também administrado medicações”, complementou a delegada.
A autoridade informou que as câmeras de videomonitoramento da Brigada Militar (BM) e também de empresários auxiliaram na identificação. “Tenho, aqui, que agradecer também o serviço de videomonitoramento da BM. Chegamos lá após o atendimento à vítima, que não conhecia o homem e que nos passou as características do suspeito, e conseguimos encontrar imagens do veículo transitando em alta velocidade pelas ruas. Na noite de segunda-feira, mesmo, soubemos que se tratava de um apenado do regime semiaberto e, com apoio dos agentes penitenciários do Instituto Penal de Bagé, conseguimos que ele ficasse sem sair do local, pois ele saia de manhã e retornava à noite para dormir, sendo que, a partir da identificação, não fez mais”, completou Carem.
Na terça-feira, a investigação continuou. A vítima, após ser ouvida, reconheceu o acusado por fotos e também pessoalmente. “Ela estava muito nervosa. Conseguimos agir com toda rede de apoio e fizemos tudo corretamente, até a questão do banho, que como ela foi atendida em urgência ela não tomou, podendo ser recolhidos fluidos e todo material que foi determinante para a prova de materialidade”, acrescentou.
Outra questão salientada pela delegada é que houve compartilhamentos na internet com imagens de um homem que não era o acusado. "Estávamos em investigação e todo mundo compartilhava a imagem de um outro homem. Isso causa perigo para a integridade e é um ato irresponsável", esclarece.
Ao ser ouvido, a delegada ressaltou que o acusado negou o crime. “Na ficha criminal dele consta, já, crime de estupro e também roubos. Ele negou ter sido ele que cometeu o crime, mas estava com o anel da vítima em sua posse no momento que foi levado para reconhecimento pessoal na delegacia”, disse a autoridade.

Manifestação
Mães de alunos da Escola São Pedro realizaram uma manifestação na tarde de ontem. A mãe de uma criança, Marinei dos Santos Batista, e outra mãe de aluno, Andressa Rodal, organizaram uma manifestação, pois, segundo informado, Silva trabalhava durante o dia na escola, no setor de serviços gerais.
Marinei comentou que sempre teve muito receio com a presença dos apenados no local. “Temos filhos pequenos, eles são três homens que estão presos e trabalhando na escola. Não sou contra o trabalho, mas como um homem como esse trabalha próximo a crianças”, questionou ela. A mãe disse que tentou falar com a direção e que apenas disseram que eles eram fiscalizados. “Fica o questionamento, se ele tem que estar na escola às 8h, como ele tava lá no centro cometendo esse crime? Elas não fiscalizam o horário?”, completou.
Andressa mencionou estar com medo e teme pelos filhos. “Hoje eles não estão trabalhando aqui na escola. A gente não se sente segura com isso”, acrescentou a mãe.
A orientadora educacional da Escola Municipal São Pedro, Carusa Pereira, destacou que o programa chega para elas apenas com o nome do apenado e o horário que ele tem que trabalhar. “Não sabemos o crime que eles cometeram. Esse projeto é um convênio para ressocialização deles, sempre estamos fiscalizando e eles são orientados a não se aproximarem dos alunos”, concluiu.

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