ANO: 24 | Nº: 6011

Fernando Risch

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Escritor
08/06/2018 Fernando Risch (Opinião)

Como Bolsonaro quer ser presidente se tem medo de expor seu próprio despreparo?

Criada a frase pronta e senso comum, a candidatura de Jair Bolsonaro à presidência da República consolida-se na liderança das pesquisas com 17% das intenções de voto, segundo a Datafolha de 15 de abril. Com a ausência de Lula, o deputado do Rio de Janeiro toma as rédeas da disputa, buscando seu adversário para um segundo turno.

Há muito tempo, uma das expectativas dessa eleição se focava nos debates. Principalmente em como Jair Bolsonaro, que costuma jogar frases de efeito ao vento, sem nenhuma profundidade, reagiria num embate de ideias com candidatos teoricamente mais preparados. A resposta parece ter vindo rápida: não indo debater.

Nesta semana, Bolsonaro afirmou que não participaria da sabatina realizada pelo UOL, Folha de São Paulo e SBT, alegando problemas de agenda. A organização deu diversas opções de datas dentro do mês, inclusive se propondo a ir até Brasília para realizar a entrevista, que está sendo feita com os seis primeiros colocados nas pesquisas. Mas ele não aceitou, alegando o mesmo problema.

Sem conteúdo e propostas claras, apenas se utilizando de uma retórica exagerada, agressiva, baseada em senso comum e frases impactantes de efeito, o candidato sabe que não tem capacidade de responder em profundidade sobre os problemas brasileiros, que são complexos e de difícil resolução, principalmente na parte econômica. Ele espera cair de paraquedas no Planalto, sem passar pelo augúrio de ter suas ideias julgadas pela população.

Recentemente, quando questionado sobre o que esperaria de um possível debate com Ciro Gomes, Bolsonaro admitiu que tinha pesadelos quando pensava no assunto. Seus apoiadores dirão que é um ato de humildade e sinceridade – e estão certos. Mas é, também, um ato que expõe a fragilidade e despreparo de Bolsonaro.

Como alguém quer se endereçar à nação brasileira como líder, ditando os rumos do País, se na antessala democrática, no escrutínio da população em busca desse líder, o candidato se acovarda para responder perguntas de jornalistas dos mais diversos veículos – que são ferrenhos com todos os entrevistados (vide participação de Guilherme Boulos para Roda Viva e Jovem Pan) –, por puro medo do próprio despreparo?

Seus apoiadores podem culpar os veículos e os jornalistas que entrevistam Bolsonaro de serem tendenciosos contra o candidato. Em verdade, esses jornalistas vão emparedar todos aqueles que pretendem se alçar ao cargo mais alto da nação, espremendo o entrevistado, tentando deixá-lo com as calças na mão. É obrigação do candidato engolir seus questionadores com argumentos sólidos e reais, sem se importar com a parcialidade das perguntas. Apoiadores que condenam jornalistas e veículos, e apoiam candidato que foge das respostas, atestam o óbvio: o candidato é despreparado.

E não adianta os apoiadores e adoradores de Bolsonaro ficarem irritados comigo. Irritem-se com seu candidato, que se esconde sabendo que será trucidado pela falta de conteúdo, respostas e propostas numa simples sabatina. Cobrem-no para que se apresente e mostre a que veio. Imaginem as respostas em termos de Brasil que Bolsonaro pode dar no Planalto quando sequer tem respostas antes mesmo da eleição. Esperemos que ele compareça para debater com seus adversários, é o mínimo que se espera de alguém se vende como o corajoso e forte macho alfa que resolverá os problemas de todos na base da “mitagem”.

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