ANO: 24 | Nº: 5959

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
09/06/2018 Marcelo Teixeira (Opinião)

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“A mulher casa com o homem achando que ele vai mudar, mas ele não muda; o homem casa com a mulher achando que ela não vai mudar, mas ela muda.” Essa frase descreve com muita exatidão algo recorrente na distinção entre mulheres e homens e que, mesmo nestes tempos de “ideologia de gênero”, acaba se confirmando na maioria esmagadora das vezes por revelar traços da personalidade característicos e naturais de cada sexo.

Para bom entendedor e conhecer da natureza de cada sexo, este paralelo basta, mas para quem não entendeu ou duvidou, costumo explicar da seguinte forma: raramente um homem engana sua namorada! Eles se revelam desde cedo, mostrando suas preferências, gostos e manias. Porém, a mulher acha que exercendo o poder que tem sobre o seu parceiro, vai mudar aquele quadro. Acredita que ele vai parar de beber, de trair, de visitar a mãe, de “lamber” o carro todo fim-de-semana, de jogar ou assistir futebol, de sair com os amigos etc etc etc. Ledo engano! Depois, ficam a lamentar os defeitos do marido/companheiro, como se não soubessem que ele sempre foi assim e, provavelmente, sempre será.

Pois bem, nesse sentido, a frase “nunca subestime o poder da negação!”, sintetiza esta mania – que não é só das mulheres – de subestimar algumas evidências, de tapar o sol com a peneira. Isso acontece muito com pais que “fingem” não ver aquilo que os filhos fazem (todo mundo sabe, menos os pais), esposos e esposas que “fingem” não ver o adultério do seu cônjuge (todo mundo sabe, menos o traído) e assim por diante. É da natureza humana!

Fiz toda essa introdução para destacar um aspecto que me chamou a atenção na greve dos caminhoneiros, que durante mais de uma semana parou o Brasil, criando transtornos mil. Sem entrar no mérito do movimento e de seus resultados, seus últimos dias deixaram transparecer o que estava escondido desde o início, o radicalismo extremo de boa parte de seus atores que, se aproveitando da justa reivindicação de uma categoria profissional indispensável para a circulação das riquezas e movimentação da economia, se infiltrou no movimento não só para potencializa-lo, mas, também e principalmente, para não deixar acabar, almejando um caos social de dimensões incalculáveis.

O mais interessante é que os infiltrados pertenciam a extremos opostos político-ideológicos do país. De um lado os “bolsominions” exigindo intervenção militar. De outro, ativistas radicais de esquerda e suas estratégias clássicas de reivindicação com formação de piquetes, ameaças, constrangimento e agressão contra qualquer um que tentasse furar a greve ou contrariar os líderes do movimento. Todavia, esta insólita e quase inacreditável união de forças de lados tão diferentes revelou um objetivo comum: derrubar o presidente Temer. Os primeiros, por insatisfação e oportunismo eleitoral, e os segundos, também, por vingança.

No apagar das luzes, para todos nós, ativistas e espectadores, simpatizantes e antipatizantes, tivemos uma amostra grátis de até onde o radicalismo pode chegar, de quais fronteiras eles são capazes de romper, do quão perigoso é lançar mão de qualquer meio para atingir seus fins. E até quem pediu intervenção militar teve a oportunidade de uma amostra grátis.

Agora, que todo mundo sabe o que essas lideranças são capazes de fazer, fica o alerta: em outubro nós é que vamos fazer a opção. Não se engane como as noivas iludidas referidas lá no início. Eles não vão mudar! Eles acabaram de mostrar as garrinhas e é isso mesmo que eles vão fazer se conquistar o poder. Não venha dizer depois que não sabia que eles eram assim.

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