ANO: 24 | Nº: 5960

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
09/06/2018 José Artur Maruri (Opinião)

Eles, antes

“Quando preparares um almoço ou uma ceia, não chames os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem vizinhos ricos, para não [suceder que] também te convidem de volta e sejas recompensado”. (Lucas 14:12)

Nos dias em que atravessamos na atualidade, infelizmente, os espaços dos noticiários, tanto da televisão como dos portais da internet, não estão reservados à benemerência ou a ação social. Parece que o malfeito teima em se multiplicar e o bem está cada vez mais restrito.           

No entanto, se observarmos com a devida atenção, veremos que, ao contrário, quem teima em se multiplicar é o bem. Porque enquanto os malfeitos estão esforçando-se para aparecer, às ocultas, o amor e a caridade se preservam no formato projetado há mais de dois mil anos pelo Cristo.

Um dos maiores exemplos é a nossa querida Bagé, sempre pronta a auxiliar os desafortunados, sempre solidária aos que menos tem, aliás, parece que o frio da campanha faz com que nos aproximemos mais para sentirmos o calor dos nossos corações.

Parece que Bagé, a custa de algumas penas, aprendeu a compreender a lição do Cristo de que é importante que coloquemos “eles, antes”.

Assim referia Emmanuel: “Nas celebrações de alegria, é inútil convocar os entes amados, de vez que todos eles se encontram automaticamente dentro delas. Recorda os que jornadeiam no mundo, sob as algemas de austeras privações, e partilha com eles as vantagens que te felicitam a vida”.

No Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, assevera: “E serás bem-aventurado, porque esses não têm com o que te retribuir’. O que vale dizer que não se deve fazer o bem com vistas à retribuição, mas pelo simples prazer de fazê-lo. Para tornar clara a comparação, disse: convida os pobres para o teu banquete, pois sabes que eles não podem te retribuir. E por banquete é necessário entender, não propriamente a refeição, mas a participação na abundância de que desfrutas”. 

A abundância, muitas vezes, não é material, mas a partilha da emoção, da acolhida, do calor, da empatia! Continuemos nessa toada de colocar o próximo em primeiro lugar. Lembremo-nos das entidades municipais que prestam auxílio aos que mais necessitam. As portas da ação social estão sempre abertas ao encaminhamento de donativos que aliviam em muito a carga de quem reencarna com o compromisso de nada ter de material.

E, ainda, não esqueçamos que Jesus não está a pedir a deserção dos círculos afetivos, entretanto, ele mesmo se dispôs, junto de Maria e seus amigos, a aliviar a carga de todos os sofredores, como se dissesse que podemos cultivar nossas afeições, mas à frente dos que choram é preciso adotar a legenda – “eles, antes”.

(Referências: Reformador, março de 1963, p. 64. “O Evangelho por Emmanuel”. Comentários ao Evangelho Segundo Lucas. Coordenação de Saulo Cesar Ribeiro da Silva. Editado pela Federação Espírita Brasileira no ano de 2017. p. 208-209)

 

 José Artur M. Maruri dos Santos

Trabalhador da União Espírita Bageense

Comente: josearturmaruri@hotmail.com

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...