ANO: 24 | Nº: 6058

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
09/06/2018 Airton Gusmão (Opinião)

Gratidão e comunhão

O dia seis de junho nos trouxe a notícia, publicado no jornal L’Osservatore Romano, órgão oficial do Vaticano, da renúncia como Bispo Diocesano de Bagé, de Dom Gilio Felício.
Os bispos são os sucessores dos apóstolos. “Quem está unido ao bispo, está unido a Cristo”, nos diziam os Pais da Igreja nos primeiros séculos.  Dom Gílio está conosco desde março de 2003, quando foi nomeado pelo Papa Bento XVI, como o quarto bispo de nossa diocese, vindo de Salvador, na Bahia, onde era bispo auxiliar
Gaúcho, nascido em Sério (hoje município, na região de Lajeado), mudou-se para Santa Cruz do Sul, onde fez toda sua formação, concluindo depois seu curso de Teologia na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.
No dia 11 de fevereiro de 2013, fomos surpreendidos com a renúncia do Papa Bento XVI, hoje emérito. Todos reconhecemos nesse gesto um ato de grandeza, de humildade e de amor à Igreja. Pessoalmente, vejo nesse gesto de Dom Gílio a mesma grandeza, humildade e amor.
Quem são os bispos eméritos? Esses bispos continuam sendo bispos, uma vez que receberam a ordenação episcopal, mas já não têm propriamente um ofício para exercer, como o comando de uma diocese.
O bispo emérito, dentro de suas possibilidades e saúde, continua presente na diocese, auxiliando naquilo que for possível, além de receber o cuidado e o carinho de todos.
O administrador Diocesano, juntamente ao Colégio dos Consultores, assume a diocese quando fica vacante. Ele não é bispo, mas exerce a administração da diocese até a tomada de posse do novo pastor. Não faz mudanças e nem tem competências para fazê-las. Apenas cuida para que as atividades continuem e prepara a chegada do substituto.
Na diocese de Bagé, o Colégio dos Consultores é formado por oito padres, representando as quatro Áreas Pastorais, mais os religiosos, a Fraternidade dos Padres, o ecônomo, o chanceler e o Coordenador da Ação Evangelizadora. Este Colégio é que vai levar adiante as atividades da diocese, em comunhão com as orientações da Igreja e do Plano de Evangelização diocesano.
Fica nossa gratidão e reconhecimento a Dom Gílio. Com seu lema “Evangelizar a todos”, ele marcou a todos nós, com seu carisma, sua simpatia, sua musicalidade, sua raça e seu gingado. Afrodescendente assumido, tem orgulho de sua negritude, e muito contribuiu nesta pastoral.
Gratidão pelo seu gesto, pela sua coragem, pela sua entrega e dedicação.
Gratidão pelo seu amor ao nosso pago, às nossas tradições, ao nosso jeito gaúcho e pampeano de ser.
Gratidão pela presença em nossa diocese bajeense nestes 15 anos e quase três meses. O seu jeito de ser encantou e encanta a todos.
Comunhão com nossa diocese, com seu rosto próprio e seu jeito de ser próprio, com nossa cultura e religiosidade.
E bendito o que vem em nome do Senhor. Desde já rezamos pelo novo pastor que a Igreja nos enviar, sempre em comunhão e oração.

Pe. Alex José Kloppenburg
Administrador Diocesano

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