ANO: 24 | Nº: 6011

Rochele Barbosa

rochelebarbosa@gmail.com
Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
11/06/2018 Caderno Minuano Saúde

O que é estoma ou estomia?

Foto: Divulgação

Estoma e estomia derivam da palavra grega ‘stóma’ que significa boca ou abertura. É uma abertura criada cirurgicamente na qual uma parte do trato digestivo ou urinário é trazido à superfície do abdômen, onde a urina e as fezes são expelidas e depositadas em uma bolsa.

A enfermeira e estomaterapeuta Emília Hennemann, consultora técnica da empresa Life Sul, realizou uma palestra para estudantes de Enfermagem da Urcamp no mês de maio sobre o tema.

Nesta edição, a especialista irá explanar sobre os tipos de estomias que são: colostomia (fezes sólidas), ileostomia (fezes líquidas), urostomia, nefrostomia e cistostomia (urina), jejunostomias, gastrostomia (alimentação) e traqueostomia (oxigenação).

 

Página 2 e 3 – Por que este procedimento é necessário?

Os motivos para a criação de um estoma, segundo a enfermeira Emília, são neoplasias, doenças inflamatórias, acidentes (traumas), doenças hereditárias e doenças congênitas.

A classificação de tipos de estomias são colostomia terminal, colostomia em alça e colostomia em duas bocas separadas e duas bocas justaposta.

A profissional dá dicas de cuidados com o estoma:


Cuidados com o estoma:

  • Observe o estoma, ele deve possuir uma cor avermelhada, ser úmido e brilhante; o formato e tamanho podem ser diferentes, podendo ser plano, retraído e protruso; o efluente pode ser líquido, semilíquido e sólido.

  • A remoção da bolsa deve ser delicadamente sem traumatizar a pele. A limpeza (higiene) do estoma e periestoma deve ser com gaze ou compressa , sem fazer fricção os esfregar o estoma pois ele pode sangrar com facilidade. A higiene e a remoção da bolsa pode ser realizada durante o banho usando agua e sabão neutro, sempre observando a temperatura e a pressão da agua, para não queimar o estoma.

  • Os pelos devem ser removidos ou aparados com tesoura sem ponta ou aparelho elétrico (não devem ser raspados com gilete ou lâminas, pois podem causar foliculites (inflamação dos pelos).

  • Não utilize pomadas, cremes, óleos, álcool, benjoim, éter e benzina. Pois pode prejudicar sua pele e a aderência do dispositivo, podendo ate causar reações alérgicas .

  • Mensure o tamanho do estoma com a régua que vem junto com o material. Recorte a bolsa conforme a medida.

  • Usar barreiras protetoras para melhorar a aderência e evitar qualquer tipo de vazamento de efluente na pele.

  • Coloque a bolsa na posição anatômica (virada para baixo em direção a perna) facilitando a drenagem do efluente. Em caso de paciente acamado, a bolsa pode ser colocada lateralmente.

  • Fechar adequadamente o dispositivo com fechamento de velcro, clamp ou válvula.

  • A durabilidade do dispositivo vai depender do efluente e da pele do paciente. Podendo ser de três a sete dias a troca.

Os estomas podem apresentar complicações imediatas ou tardias, destaca a especialista. “Sangramentos ou hemorragias; isquemias ou necrose; edemas; descolamento mucocutâneo, sepse periestomal, abcesso ou infecções, estenose (estreitamento do estoma), prolapso, hérnia periestomal, dermatites periestomais, varizes periestomais, lesões verrucosas e granulomas”, completou.

Cuidados

Emília conta que o paciente deve ser avaliado no pós-operatório pelo enfermeiro estomaterapeuta ou profissional capacitado. “O profissional deverá envolver a família no plano de cuidados: orientando cuidados com o estoma, troca do dispositivos, uso de adjuvantes e acessórios, alimentação , higiene e conforto e qualidade de vida”, complementa a especialista.

Ela, ainda, complementa dizendo que também deverá avaliar nas dimensões físicas, biopsicossocial, espiritual, identificando sempre o nível de autocuidado: avaliar estado nutricional, eliminações, alergias, condições da pele, ferida operatória, deficiências, destrezas e habilidades do autocuidado, atividade de vida diária, de trabalho e lazer, autoestima, integridade corporal e adaptações.

Cada paciente estomizado necessita de cuidados diferenciados de acordo com a cirurgia realizada e o problema diagnosticado”, destaca.

Alimentação

É importante considerar a necessidade de adequar sua alimentação observando a influência de seus hábitos alimentares na regulação das características e da frequência das eliminações intestinais, podendo assim identificar os alimentos que o organismo não tolera, restringindo aqueles que potencializam gases e odores ou que lhe causam desconforto. “Fracionar as refeições em mais porções, mastigar bem os alimentos”, informa a enfermeira.

Também se recomenda a adoção das seguintes práticas alimentares: consumir vegetais cozidos e não folhosos; alimentar-se em ambiente calmo e tranquilo; ingerir, em média, dois litros de líquidos por dia; evitar alimentos gordurosos, condimentos industrializados e produtos embutidos.

Pacientes com estomias urinarias devem ingerir em média de dois e meio a três litros de água por dia.


Alimentos que causam gases:

Frutos do mar em geral, leguminosas (ervilha, lentilha, grão de bico), repolho, brócolis, couve-flor, cebola, pimentão, pepino, ovos, queijos muito maturados (parmesão, gorgonzola, entre outros.), açúcar branco ou mascavo e doces com muito açúcar, bebidas gasosas, chocolates e bolos.

 

Alimentos laxativos:

Frutas cruas em geral e bagaço de frutas, feijão, lentilha, ervilha, grão de bico, nozes, castanha, avelã, coco, amendoim, cevada, aveia, centeio, farelo de trigo, produtos integrais, verduras cruas ou cozidas em geral (couve, pimentão, couve-flor, pepino, tomate), queijos gordos e maturados (parmesão, roquefort , entre outros.), embutidos (salsicha, linguiça, salame, presunto, mortadela) chantilly, creme de leite, coalhada, iogurte. Deve-se evitar também frituras, alimentos gordurosos, picantes (mostarda, pimenta, páprica) e doces com muito açúcar.

 

Alimentos Constipantes:

Ricota fresca, queijo branco, batata inglesa, mandioca, cenoura, maisena, sagu, maçã (cozida, raspada, assada, purê), banana-maçã, banana-prata, limão e todas as frutas cozidas sem casca e com pouco açúcar, gelatina, arroz branco, chuchu, abobrinha, abóbora, berinjela sem casca, macarrão.

 

Alimentos que produzem mais odores:

Peixes em geral (liberam cheiro amoniacal), frutos do mar em geral, carnes em conserva ou muito temperadas e defumadas, ovos cozidos, repolho, brócolis, milho, couve-flor, cebola e alho cru.

 

Alimentos que neutralizam odores:

Maçã (sob qualquer forma), iogurte ou coalhada integrais e sem soro, chá concentrado de salsinha ou salsão, frutas perfumadas sem casca e bem maduras como pêssego, pera e morango.

 

 

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