ANO: 24 | Nº: 6058

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
12/06/2018 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Encontrando a própria essência

De vez em quando pego um livro "antigo" que gostei bastante e sinto algo muito especial com isto. Não apenas reler com satisfação e descobrir coisas que antes não tinha percebido nas primeiras leituras e, agora, consigo com mais profundidade, isso é muito bom. Mas falo em descobrir a mim mesma ali naquelas páginas. Sim, a mim, uma parte de mim, uma faceta de quem sou ou fui, que de alguma forma ficou registrada naquelas páginas. Assim como ouvindo uma música que fez parte da infância, somos capazes de evocar algo esquecido nos arquivos da memória afetiva, lendo uma história vejo como fui, como já pensei, o que esperava, o que sonhei, o que senti. Com graça, vejo o que anotei nos cantinhos das páginas e agora não fazem o menor sentido ou que, pelo contrário, considero ousadas ou bem engendradas, - que bárbaro! - "como eu pensei isso?"

Claro, foi o livro. Foi a boa leitura que proporcionou essa inspiração. Assim como uma boa companhia leva à melhor conversa que eleva o pensamento e o humor, uma boa leitura tira de nós o melhor, e nem sempre fazemos algo com isso. Pelo menos não conscientemente.

Que bom poder recorrer a estes subterfúgios para redescobrir espaços perdidos ou esquecidos dentro de nós mesmos. Ideias que não foram levadas adiante. Sonhos de infância. Ilusões. Enganos. Quem eu acreditava ser naquele momento. Quais as minhas prioridades na época. O que me fazia feliz. Qual era o sentido da minha vida. Esses pedacinhos esquecidos ajudam a me atualizar de quem sou e como cheguei até aqui.

Ouvindo velhos discos, relendo livros antigos, cartinhas, desenhos, poemas, cartões de aniversário, rostos queridos de fotos guardadas... De várias formas, remexo as gavetas de minha memória e vou descobrindo muitos retalhinhos de mim. Alguns me fazem sorrir e querer reencontrá-los, como sonhos, crenças e audácias. Outros, compreendo perfeitamente porque foram deixados de lado e volto a deixa-los lá, no contexto do que já foi, fica registrado apenas como parte de minha história.

Sábado na Urcamp

Fiquei muito feliz de ter participado, com o meu colega Marcelo Motta, da Jornada de Psicologia organizada pelo Diretório Acadêmico de Psicologia da Urcamp, dia 9 de junho. É sempre bom abordar as teorias de Carl Rogers e Carl Gustav Jung.

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