ANO: 25 | Nº: 6210

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
16/06/2018 José Artur Maruri (Opinião)

Desprendimento dos bens terrenos

É importante, nos dias atuais, onde as pessoas se colocam em primeiro lugar, no exercício de um sentimento egoísta, falar sobre a necessidade de estarmos no mundo, sem ser do mundo, como dito por Paulo aos Efésios.
Ao estar na Terra, vivemos como se tivéssemos sido criado nela e nos comportamos como se para ela fôssemos voltar, deixando para trás o ensinamento “Crístico” de que apenas o corpo voltará ao pó de onde saiu, porque o Espírito retornará para Deus.
O Espiritismo, diferentemente de outros segmentos religiosos, evidencia a nossa existência espiritual, ou seja, antes de reencarnarmos já éramos Espíritos e, com a morte do corpo, permaneceremos sendo, em Espírito, na verdadeira pátria, a Espiritual.
O que resta claro com este princípio básico da Doutrina Espírita, a imortalidade da alma, é que necessitamos, mais do que nunca, nos desprendermos dos bens materiais, como lecionado pelo Espírito Lacoirdare:
“O amor aos bens terrenos constitui um dos mais fortes óbices ao vosso adiantamento moral e espiritual. Pelo apego à posse de tais bens, destruís as vossas faculdades de amar, com as aplicardes todas às coisas materiais. Sede sinceros: proporciona a riqueza uma felicidade sem mescla? Quando tendes cheios os cofres, não há sempre um vazio no vosso coração? No fundo dessa cesta de flores não há sempre oculto um réptil?”
Não podemos olvidar que o desprendimento dos bens terrenos consiste em apreciá-los no seu justo valor, em saber servir-se deles em benefício dos outros e não apenas em benefício próprio, em não sacrificar por eles os interesses da vida futura, em perdê-los sem murmurar, caso apraza a Deus retirá-los. Como Jó é necessário que digamos, “Senhor, Tu nos havias dado e nos tiraste. Faça-se a tua vontade”.
De igual forma, não devemos nos esquecer de que os bens que recebemos não foram doados, mas oferecidos por empréstimo. O que não nos autoriza a fatos como o noticiado pelo “Portal Valor Econômico”, ainda no início do corrente ano, onde “sete bilhões em comida foram jogados no lixo”, a “quebra operacional”, jargão do varejo para o desperdício, é relacionada a produtos perdidos por danos, aparência ou validade.
Rendamos graças à Doutrina Espírita que nos esclarece acerca da vida espiritual e faz com que saibamos da existência de bens infinitamente mais preciosos do que os da Terra, o que nos proporciona, pelo entendimento e não por pela fé cega, o desprendimento dos bens terrenos, mas sabendo redirecioná-los aos que mais precisam.
“Fora da caridade não há salvação”. – Allan Kardec.
“Se não sabeis restituir, não tendes o direito de pedir, e lembrai-vos de que aquele que dá aos pobres, salda a dívida que contraiu com Deus”. – Lacordaire (Constantina, 1863)

(Referências: Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB Editora. p. 226-230. Portal Valor Econômico. http://www.valor.com.br/agro/5248513/r-7-bilhoes-em-comida-jogados-no-lixo. Acesso em 14 de junho de 2018)

 

 José Artur M. Maruri dos Santos

Trabalhador da União Espírita Bageense

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