ANO: 24 | Nº: 8084
18/06/2018 Editorial

Outra época

Vibração e tensão se mesclam com tamanha ocasionalidade que poucas vezes se sabe, a não ser por quem a vivencia, do que se trata. É um sentimento movido por emoções extremas, que podem, inclusive, nortear o comportamento dependendo do humor de cada um. Sim, isto é torcer.

A chegada de mais uma edição da Copa do Mundo de futebol, desta vez na Rússia, aflorou tal sentimento em uma parcela significativa da população. E que se inclua, neste panorama, com destaque, a sociedade brasileira. Desde ontem, pelo menos por 90 minutos a cada dia de jogo, as demais questões – importantes ou não – ficarão em segundo plano, ao menos para o grupo que integra a difícil e, também, alegre vida de torcedor.

Parece um paradoxo, se for avaliado o contexto econômico e político atual do País. Há tantos assuntos a serem resolvidos, demandas sanadas ou mesmo divergências a serem solucionadas que torna-se estranho pensar que o futebol tem mais importância. Acontece que tradições são eternas. Até podem mudar ao longo do tempo, mas dificilmente cessarão. Ainda mais dentro de um contexto cultural onde uma bola é seguidamente responsável por transformar vidas. De atletas, que podem sair da periferia para se tornarem astros; e de torcedores que, pelo menos por alguns instantes, mesmo diante de momentos difíceis, enxergam um gol marcado como a solução momentânea para encontrar a felicidade.

É uma verdade incontestável. Até o final da Copa, o brasileiro comemorará a cada gol marcado e sofrerá a cada um sofrido. Esses sentimentos, já vivenciados ontem, na estreia contra a Suíça, se manterão nos próximos dias. E para que o humor e a felicidade ganhem evidência, vale a torcida de todos, mesmo aos que pouco se importem com futebol. Estamos em outra época.

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