ANO: 25 | Nº: 6361

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
19/06/2018 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Que raiva!

Fiquei vermelho, roxo, tive um ataque, chorei de raiva...

Muita gente, se não usou uma expressão dessas, já presenciou alguém vivenciando.

A raiva é um sentimento inerente ao ser humano. Ou seja, todos sentem muitas vezes durante a vida. Como reagir ao sentir raiva, porém, não é igual para todos.

Na prática, é sentimento intenso vivenciado frequentemente. Suas manifestações físicas vão desde o tremor e o ruborescimento até alterações de pressão arterial. Já a forma como é expressa pode ser um sinal de maturidade ou desequilíbrio.

Durante muito tempo, acreditou-se que sentimentos menos nobres não deveriam ser expressos, confundindo, assim, sua manifestação com cultivo. É sinal de maturidade e equilíbrio no manejo das emoções o direito a sentir qualquer uma delas. Aceitação, portanto, faz muita diferença.

Tem gente que não aceita a própria raiva, como se isso fosse torná-la má. Vai-se reprimindo tal emoção por julgá-la imprópria. Até chegar ao ponto em que se é traído por ela. Aí não dá mais para reprimir e explode, muitas vezes surpreendendo quem está à sua volta.

Existe, também, aquele que a externaliza sem o menor receio ou preocupação com o alvo, causando estragos emocionais e até materiais para quem está por perto.

A repressão ou descontrole das emoções podem prejudicar vidas. Em ambos os casos é importante a autopercepção. Entrar em contato com os próprios sentimentos, descobrir suas causas e o que fazer com eles proporciona amadurecimento, crescimento na habilidade em lidar com os próprios sentimentos e também com o dos outros. Sentir raiva é normal. Jogá-la em cima dos outros ou trancar dentro de si é que não.

Cada pessoa pode descobrir com sua experiência qual o melhor caminho para a expressão de seu sentimento de raiva. Às vezes basta admitir dizendo “estou com raiva de ti” ou “desta situação”. É quase um alerta ou pedido de desconto por parte dos outros, já que está irritado.

Comunicar a própria raiva é um dispositivo bom, que funciona bem, mas não é um passe de mágica, não neutraliza seus sentimentos. Apenas abre caminho para um diálogo posterior, quando o sentimento já foi amenizado.

Quando a pessoa se conhece e se aceita pode descobrir qual a melhor forma de livrar-se da raiva sem criar um desequilíbrio físico que pode levar a doenças.

Vale respirar fundo, procurar um amigo, ficar sozinho, cair no choro ou até dar socos na almofada. Qualquer uma dessas formas de expressão é excelente porque produz uma descarga que alivia e acalma sem machucar ou magoar ninguém.

 

 

“Durante muito tempo acreditou-se

 que sentimentos menos nobres

não deveriam ser expressos”

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