ANO: 25 | Nº: 6358

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
20/06/2018 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Mandato de opinião. Respeito aos eleitores.

Se tem uma coisa que é um consenso em nossa região é que político "ensaboado" não dura muito por aqui. Para nós, que nos formamos em campo aberto, na luta franca, mas respeitosa, submetida aos limites da civilidade e do argumento, afirmar a opinião sobre as coisas, os debates, as polêmicas, não é uma escolha, mas uma obrigação.

É assim que desde quando era estudante fiz uma opção muito clara e consciente em defesa do meio ambiente. Lembro como se fosse hoje da primeira passeata que fizemos em Bagé após o golpe de 1964, ainda na ditadura, no início dos anos 80. Fui um dos coordenadores daquele evento que reuniu estudantes da Agronomia e da Veterinária da então FUnBa.

Marchamos em direção ao Arroio Bagé, acompanhados de ninguém menos do que o famoso ecologista José Lutzemberger. Naquele dia, paramos em frente à Panela do Candal e protestamos contra o plano do então prefeito de canalizar o arroio que corta a cidade. Iniciamos ali uma campanha chamada "Bagé, arroio que te quero vivo!", que evitou a canalização, mas ainda não teve força suficiente para revivê-lo, ideia que faz parte, evidentemente, de minhas bandeiras.

Muito depois, quando fui prefeito, estabeleci como prioridade os investimentos em saneamento. Quando assumi a gestão, havia coleta de esgotos em apenas 30% da cidade e nenhum tratamento. Quando conclui meu mandato de prefeito, a cidade já tinha assegurado, com as obras que foram realizadas, as em execução e os recursos disponibilizados para investimentos futuros, 80% de coleta e 80% de tratamento. Uma evolução significativa para qualquer município brasileiro, com forte impacto positivo sobre o nosso arroio.

Lembro, também, da luta que se iniciou quando eu era vereador para que Bagé tivesse um tratamento adequado do lixo produzido na cidade. Foi por nossa articulação, apoiada pelo movimento ambientalista e comunitário, que conseguimos fechar o lixão na Cabanha da Fumaça (na BR-293), na Estrada da Arvorezinha, depois nas Pedreiras (que gerava mal cheiro e proliferação de insetos no bairro Prado Velho), e, o mais importante, no próprio Arroio Bagé, no verdadeiro Passo das Pedras, onde se queria desviar o curso do arroio com o depósito de lixo.

Também nesta área, quando assumi a prefeitura, avançamos muito. Através do trabalho da secretária Estefania Damboriarena, desenvolvemos um projeto de aterro sanitário que foi considerado um dos cinco melhores projetos em um concurso nacional feito pelo Ministério do Meio Ambiente, então dirigido pelo Zequinha Sarney, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Por conta disso, obtivemos recursos federais suficientes para construir um aterro sanitário modelo, que foi considerado o melhor do Rio Grande do Sul, posteriormente inaugurado pela então ministra Marina Silva.

É assim, também, que hoje me envolvo na luta em defesa do Bioma Pampa e do Rio Camaquã. Não fui eu que iniciei essa luta e nem quero que ela seja só minha. Mas tenho um compromisso claro com ela, sem subterfúgios. Porque em questões de defesa da integridade de nosso habitat natural não nos é dado o direito a subterfúgios.

Lembro aqui, com pesar, do passamento recente do grande lutador do Camaquã, o advogado e produtor rural Diogo Madruga Duarte, que junto com o Tio Nica e o João Doglia, formaram o trio de defesa do nosso Camaquã.

Em homenagem a eles, reafirmo minha convicção de que o garimpo de metais pesados nas margens do Rio Camaquã não é um projeto que nos interessa. Os argumentos das grandes empresas, incluindo aí empresas estrangeiras, de geração de riqueza e emprego para as localidades não passa, como sabemos, de propaganda enganosa. Em todos os exemplos que estudamos, o extrativismo de metais pesados gera riqueza para os exploradores (que no caso do projeto em questão, levarão até o refino para fora do País) e sobra poluição e pobreza estrutural para as populações locais.

Sei que posso perder votos ao assumir posturas como esta, mas, como disse, a defesa de princípios – como é o caso da defesa da vida – não permite condutas "ensaboadas", melindrosas e nem atitudes dúbias. Tenho lado. Tenho coerência. Luto pelo meio ambiente desde antes de assumir meu primeiro mandato de vereador. E quando pude, fiz o possível para tornar nossos rios e a vida de nossa população mais limpos e saudáveis. Por isso, seguimos na luta e na parceria.

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