ANO: 24 | Nº: 5982
20/06/2018 Editorial

Trabalho reconhecido

Muito se fala, a cada determinado período, da necessidade de mais segurança. É algo que está intrínseco no diálogo de qualquer roda de conversa, da maior até a menor. É quase como mencionar o clima para puxar assunto. E um bate-papo leva a outro. Vez ou outra, o assunto relativo ao crime ganha espaço. Nada mais natural, até porque tais fatos, infelizmente, são recorrentes. Contudo, sempre é preciso uma análise mais abrangente.

Em Bagé, por exemplo, a criminalidade, seja o roubo, o furto, ou mesmo o homicídio, dá as caras. Em alguns casos, de maneira frequente e até incessante. Por outro lado, é fundamental mencionar que a resposta dos órgãos de segurança, pelo menos a percebida na atualidade, vem sendo quase que imediata. E isto independente da situação enfrentada pelos profissionais que atuam no setor.

Para se ter uma ideia, dos casos envolvendo assassinatos, registrados neste ano (cinco até ontem), praticamente todos tiveram uma investigação desenvolvida e inquéritos apresentados ao Judiciário. Ou pelo menos acusados apontados. Ou seja, houve a tão demandada resposta no que tange a apuração, a busca efetiva por culpados. Tudo isso, dentro da legalidade exigida para cada caso que, em determinados momentos, poderia até tornar o processo mais moroso.

Esta situação, por mais que pareça comum e atenda o objetivo dos órgãos de investigação, demonstra uma realidade bem diferente do resto do País. Em 2017, por exemplo, o Brasil teve o maior registro histórico de homicídios, foram mais de 61 mil óbitos por motivos violentos, correspondendo a um salto de 40% em apenas dez anos. Mesmo assim, diante da crescente - e até assustadora - de casos, 80% dos crimes de homicídio não foram solucionados pelo poder público – segundo levantamento “Onde Mora a Impunidade?”, publicado pelo Instituto Sou da Paz.

Na avaliação mencionada, um dos motivos para a baixa eficácia na resolução dos casos apontada foi a “pouca ênfase dada da Segurança Pública nas investigações, com o maior foco no policiamento ostensivo”. A análise citou, aliás, que o País possuía, no ano passado, um policial militar para cada 471 habitantes e um policial civil para cada 1.674 habitantes.

A questão que fica evidente é que a solução ao combate à criminalidade passa, sim, por melhores condições de trabalho nos órgãos de segurança, elevação de efetivo e de equipamentos. Contudo, também diante deste cenário, as polícias de Bagé e região dão, na atualidade, um exemplo de que, com empenho, profissionalismo e dedicação é possível dar uma resposta que atenda ao apelo tão clamoroso da população local. Trata-se de um trabalho que deve ser, e é, reconhecido.

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