ANO: 24 | Nº: 6110

Rochele Barbosa

rochelebarbosa@gmail.com
Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
25/06/2018 Caderno Minuano Saúde

Capa - Obesidade atinge quase 20% da população brasileira

Foto: Divulgação

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A obesidade é uma realidade para 18,9% dos brasileiros. Já o sobrepeso atinge mais da metade da população (54%). Os dados, divulgados pelo Ministério da Saúde, são da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).
Entre os jovens, a obesidade aumentou 110% em uma década (entre 2007 e 2017). O índice foi quase o dobro da média nas demais faixas etárias (60%). O crescimento foi menor nas faixas de 45 a 54 anos (45%), 55 a 64 anos (26%) e acima de 65 anos (26%). Nesta edição, iremos abordar a pesquisa com informações complementares da professora da Universidade da Região da Campanha (Urcamp) e nutricionista Vera Bortolini.

Página 2 e 3 - Mudança de hábitos alimentares e aumento do peso
A pesquisa foi feita com maiores de 18 anos em 26 capitais e no Distrito Federal. No mesmo período, o sobrepeso foi ampliado em 26,8%. O movimento foi maior também entre os mais jovens (56%), seguidos pelas faixas de 25 a 34 anos (33%), 35 a 44 anos (25%) e 65 anos ou mais (14%). Foram entrevistadas 53 mil pessoas, entre fevereiro e dezembro de 2017. Ou seja, o levantamento não registra os hábitos e tendências de pessoas que moram em cidades do interior do Brasil.
A nutricionista Vera Bortolini explica que, segundo observado por várias pesquisas, a obesidade já atingiu todas as faixas etárias, inclusive as crianças. “O excesso de peso e a obesidade são encontrados com frequência em menores de cinco anos em todos os grupos de renda e praticamente todas as regiões brasileiras”, ressalta.
Na avaliação da diretora do Departamento de Vigilância de Doença e Agravos Não Transmissíveis e Promoção da Saúde do Ministério da Saúde, Fátima Marinho, embora o ritmo de crescimento da ocorrência de obesidade tenha se estabilizado desde 2015, ainda é um índice preocupante.
Ela identifica como fator central desse processo, a mudança na realidade das mesas dos brasileiros. “Pessoas comiam comidas mais saudáveis. O arroz e o feijão, por exemplo, não são mais unanimidade. Há mais comidas industrializadas, mais fast food e menos consumo de comidas mais frescas”, explica.
Vera acredita que a obesidade tem aumentado no Brasil e no mundo devido à mudança dos hábitos alimentares e o consumo exagerado dos alimentos industrializados, aliado ao sedentarismo. “Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é uma epidemia mundial condicionada, principalmente, pelo perfil alimentar e de atividade física e segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a população adulta brasileira já atingiu os índices de 50% de obesidade, o que é muito preocupante devido à ocorrência de patologias associadas, como hipertensão arterial e diabetes mellitus”, ressaltou.

Menos refrigerantes e mais atividade física
Apesar dos índices, o levantamento registrou um aumento da prática de atividades físicas no tempo livre de 24,1%, no período de 2009 a 2017, e uma queda de 52,8% no consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas, entre 2007 e 2017. A perda da preferência por esses tipos de bebidas ocorreu sobretudo entre adultos com idades entre 25 e 34 anos e entre pessoas com mais de 65 anos.
A inclusão de frutas e hortaliças no cardápio habitual também teve um acréscimo nos últimos anos, crescendo 5% entre 2008 e 2017. Nesse consumo, há um recorte de gênero representativo. Enquanto esses alimentos são mais frequentes no cotidiano alimentar das mulheres (40%), eles ainda não são muito populares entre os homens (27,8%).
Na opinião de Fátima Marinho, a mudança de hábitos alimentares necessária para reduzir esses índices de obesidade e sobrepeso passa por informar melhor o consumidor na hora de escolher o alimento. Ela cita como exemplo sucos industrializados, vistos como mais saudáveis por muitas pessoas, mas que são compostos por quantidades de açúcar semelhante às dos refrigerantes.
“A política pública tem que incentivar pessoas a comerem melhor. Informar melhor é a nova proposta, começar nos alimentos industrializados o que está lá dentro e as quantidades. Se há aquelas letrinhas pequenas e tem que fazer vários cálculos, aí fica mais difícil”, comenta.
Vera destaca que mudança nas estratégias governamentais para inclusão de programas de saúde pública, que tratem de mudança de comportamento alimentar e controle de publicidades que estimulem o consumo de alimentos calóricos principalmente por crianças pode auxiliar. “Aumentar o consumo de alimentos naturais e integrais e controlar o consumo de alimentos industrializados. Não esquecer de beber água. Aumentar o consumo de alimentos fontes de fibras, como frutas e verduras. Realizar todas as refeições com prazer e devagar, avaliando o que está comendo. Conforme preferência, praticar atividade física”, conclui.

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