ANO: 25 | Nº: 6354
27/06/2018 Editorial

Necessária resolução

Desde maio, a política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tolerância zero com a imigração ilegal, levou à separação de mais de 2 mil crianças de suas famílias ao cruzar ilegalmente a fronteira entre México e Estados Unidos. No dia 20 deste mês, depois de muita pressão interna e internacional, Trump assinou um decreto executivo que poria fim à separação das famílias. O decreto, no entanto, só se aplica a novos casos. A situação, embora nem tão recente e, ao mesmo tempo preocupante, no âmbito dos direitos humanos, demanda uma solução.

Ontem, o embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Sérgio Amaral, afirmou, após participar do almoço de recepção ao vice-presidente dos EUA, Mike Pence, no Palácio do Itamaraty, em Brasília, que o presidente Michel Temer falou sobre a possibilidade de buscar as crianças brasileiras que estão em abrigos norte-americanos, após entrarem ilegalmente com seus pais pela fronteira do País com o México. O tema, embora não esteja oficialmente na pauta de reuniões, foi tratado no encontro entre Pence, o presidente Michel Temer e o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira. Até porque, de acordo com o cônsul-geral adjunto do Brasil em Houston, Felipe Santarosa, em entrevista à Empresa Brasil de Comunicação (EBC), 51 crianças brasileiras estavam em abrigos, separadas dos pais, assim como milhares de crianças e adolescentes de outras nacionalidades que tentaram ingressar no País sem os documentos oficiais.

Em declaração à imprensa no Palácio Itamaraty, o presidente Michel Temer disse que conversou com o vice-presidente Pence sobre a questão dos menores brasileiros que foram separados de seus pais nos Estados Unidos. Ele afirmou que o governo está pronto, inclusive, para colaborar com o transporte dos menores brasileiros de volta ao Brasil.

O fato, por mais que a imigração desenfreada ao território norte-americano exija políticas específicas de controle, colocou em xeque questões humanitárias. Não é possível admitir que, por uma decisão governamental, crianças sejam separadas de seus pais. É preciso, claro, alternativas. Mas que atendam a preceitos, no mínimo, morais. Caso contrário, a exemplo do que já é visto em outras nações, como na Síria, onde a guerra já impede o simples respeito à vida, caminharemos para um futuro tortuoso e sombrio.

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