ANO: 25 | Nº: 6335

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
27/06/2018 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Saúde é o que interessa

Neste final de semana que passou, recebemos a visita do nosso pré-candidato ao governo do Estado, o ex-ministro dos governos Lula e Dilma, Miguel Rossetto. Nossa agenda foi de conversas e reconhecimento daquilo que são valores importantíssimos de nossa região.

Em Candiota, por exemplo, estivemos nas operações das nossas empresas públicas. Tanto a CRM (produção de carvão) quanto a CGTEE (produção de energia) são fundamentais para uma estratégia de desenvolvimento. A produção de energia, principalmente a de base no carvão mineral, é um ativo valorizadíssimo no mercado mundial. Não é à toa o interesse demonstrado pelos chineses por este negócio. Mantê-las públicas, produtivas e eficientes é um desafio e um compromisso. Hoje, defender a sua privatização é evidenciar uma subordinação do governo aos interesses dos capitais estrangeiros que lutam e competem entre si para monopolizar estes ativos em nível mundial.

Em Hulha Negra, visitamos os assentamentos da reforma agrária e outros empreendimentos rurais produtivos. Há um convencimento que já está sólido em nosso meio que a pequena propriedade rural, quando conduzida com profissionalismo, dedicação e com apoio do poder público (como é, aliás, em todo o mundo), pode cumprir um papel fundamental no abastecimento das cidades com produtos de qualidade. As dezenas de assentamentos que se instalaram nesta região comprovam esta opinião. Trata-se não apenas de políticas públicas que visam a dar oportunidades a trabalhadores pobres do campo, mas de um modelo produtivo que contribui para o sistema da produção agrícola brasileira, que pode e deve contar com produção familiar e empresarial convivendo e se complementando.

Em Bagé, além de uma sucessão de pequenos e grandes encontros, em que Rossetto encontrou um conjunto de pessoas dispostas a recuperar o tempo que perdemos com o golpe e seu representante estadual, o atual governador, conversamos muito sobre a estrutura com que conta o município nas questões de saúde e educação. Rossetto está formulando o seu programa de governo, mas demonstrou nas conversas aqui, a prioridade que dá a esses dois temas e à segurança pública.

Em relação às políticas públicas de saúde, Bagé é uma cidade que está melhor do que muitas. Por conta de 16 anos de investimentos crescentes em políticas públicas de saúde, durante os governos do PT, que contaram, evidentemente, com o apoio, o financiamento e a parceria dos governos federais (coincidentemente, também do PT), o município pode construir uma rede pública de saúde razoável.

Foi Bagé a primeira cidade do Estado a ter instalado o Serviço de Atendimento Móvel Urgência (SAMU), em minha primeira gestão de prefeito. Até hoje, esse serviço realiza sua missão no salvamento de pessoas. Nossa estrutura de Unidades Básicas de Saúde e, por último, a instalação da UPA, permitem-nos um atendimento inicial que não é encontrado igual em muitas cidades. É claro que ainda há demanda não respondida, que é preciso avançar, mas a notícia boa é que em Bagé partimos de uma base melhor do que em outros lugares.

Nos últimos dois anos, essa realidade positiva, entretanto, tem dado mostras de que está sendo desestruturada. Isso por conta, fundamentalmente, de ações de desmonte de políticas públicas desenvolvidas pelo governo federal, que diminui investimentos, fecha programas e se distancia a olhos vistos dos interesses dos que mais precisam. Por isso, ter essa visão de um pré-candidato a governador sobre o tema da saúde é muito importante. Não é possível, por exemplo, que deixemos a mortalidade infantil aumentar ou o Programa Estratégia da Saúde da Família, que leva atendimento às residências dos idosos e doentes, diminuir sua amplitude.

Também é inaceitável que hospitais como a Santa Casa de Caridade ou o Hospital Universitário contem com financiamento insuficiente. Como se sabe, o financiamento público para a saúde é tripartite, o que quer dizer que todas as instâncias do poder público, seja municipal, estadual e federal, têm compromissos com isso.

As políticas públicas de saúde são fundamentalmente dirigidas para aqueles que não têm recursos suficientes para usufruir de um atendimento privado ou mesmo contar com planos de saúde. Por isso, manter a atenção plena e um compromisso claro para financiar o atendimento de saúde para os que mais precisam, com qualidade e efetividade de cura, é compromisso fundamental dos que pensam em governar. Felizmente, Miguel Rossetto está, como nós, também tem essa visão.

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