ANO: 24 | Nº: 6137

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
30/06/2018 Marcelo Teixeira (Opinião)

"Ex" existe?

Não recordo de ninguém que tenha deixado de ser balaqueiro. Todos os balaqueiros que conheci, continuam balaqueiros ou, como queiram, nunca deixaram de ser. Alguns ficaram menos, raros ficaram mais, outros nunca mudaram, mas todos continuam balaqueiros.

Já ouvi dizer, por exemplo, que não existe ex-alcoólatra nem ex-homossexual, ou seja, uma vez alcoólatra sempre alcoólatra. E os homossexuais nascem, crescem e morrem preferindo transar com pessoas do mesmo sexo, muito embora, eventualmente, até experimentem o sexo diferente.

A tese de que não há “ex” no alcoolismo nem no homossexualismo baseia-se na evidência de que a “recaída”, nestes casos, é muito comum e quase inevitável. Não sei se existem estatísticas sérias a respeito do assunto, mas falando em recaída comum, inevitável e, ainda, mais severa, é impossível não lembrar, também, dos “ex-gordos” e a eterna luta contra o efeito sanfona. Esta tese até poderia ser uma tese absurda, desprovida de fundamentos confiáveis, mas no que diz respeito ao alcoolismo, as terapias mais eficientes costumam incutir no dependente de álcool esta idéia de que ele, efetivamente, nunca ficará “curado”. Abster-se do álcool será uma conquista diária e para o resto da vida. “Só por hoje” é quase um mantra para os que tentam superar esse vício desgraçado.

Se falarmos em profissões, cargos, aptidões físicas, conhecimentos adquiridos etc, podemos até considerar que “ex” existe, mas quando falamos em traços da personalidade isso já fica mais difícil. Exemplificando, existe ex-atleta, ex-professor, ex-balconista, ex-presidente, ex-pintor etc, mas é quase impossível encontrar um ex-chato, ex-atacado, ex-caloteiro, ex-neurótico, ex-saliente, ex-tímido, ex-pessimista, ex-pavio-curto, ex-mau humorado etc.

Alguns “ex”, no entanto, ficam numa zona intermediária como, por exemplo, ex-namorado(a) e ex-esposo (a). Sem querer atiçar a insegurança daqueles que tem ciúme de “ex”, mas já atiçando, a julgar pela quantidade de pessoas que depois de anos a fio voltam a namorar e até a casar com algum(a) “ex”, é de se perguntar: era “ex” mesmo ou aquela chama nunca apagou de verdade? Dá para chamar de “ex” o pai ou a mãe de seus filhos que ainda compartilha despesas, responsabilidades, decisões e preocupações? Tudo bem! Até podemos concluir que “ex” existe, mas é inegável que tem muito “ex” que parece, mas não é.

 

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