ANO: 25 | Nº: 6334
30/06/2018 Caderno 5º Simpósio Produção de Soja da Região da Campanha 2018

Muito além da alta produtividade, é preciso garantir renda

Foto: Graciela Freitas/especial

“Se tiver uma quebra, precisa haver outra renda
“Se tiver uma quebra, precisa haver outra renda", reforça Zuliani

 

 

 

Se o mercado da soja se consolidou na Campanha gaúcha pouco resta de dúvidas. Porém, há desafios, ainda, a serem superados. E isto vai muito além de garantir que a colheita atinja os níveis esperados. É necessário que o trabalho empenhado pelo produtor tenha, também, o retorno financeiro esperado. Com esta análise, o coordenador do Simpósio Produção de Soja na Região da Campanha, Ricardo Rezende Zuliani, avalia o atual cenário do setor.

A avaliação, já antecipando parte de alguns destaques que estarão em pauta durante a programação do evento, tem um apontamento direto. “É preciso consolidar renda (…) E a gente já entende que a soja, como monocultura, não se sustenta”, argumenta ele. Tal menção leva em consideração fatores que vão além do preço exercido pelo mercado para a compra do grão, mas pelos perigos que envolvem o ramo – suscetível às condições climáticas e as safras nem sempre com números constantes.

“Neste ano, por exemplo, a soja não deixou uma boa renda. O clima ocasionou muitas perdas e isso afeta tudo. É difícil pensar num futuro que não integrando este cultivo com outras culturas, como o arroz, ou mesmo com a pecuária”, defende ao exemplificar: “se tiver uma quebra, precisa haver outra renda. Com a pecuária já está provado que funciona. Quanto mais cedo se utiliza a lavoura para pastagens, o azevém, após a colheita da soja é melhor”.

A menção de Zuliani, aliás, como ele mesmo antecipa, será debatida com os presentes do Simpósio. “Serão pelo menos três palestras abordando isso, explicando como funciona, como é possível ser executado”, adianta.

Parcerias podem viabilizar o sucesso

A utilização das lavouras destinadas à soja por outras culturas, aliás, tem outro tópico que vem ganhando importância no setor. “São as parcerias que podem garantir o sucesso”, comenta Zuliani ao explicar que, nestes casos, o debate é, na maioria dos casos, referente aos arrendamentos.

“Se sabe que boa parte dos sojicultores arrendam terras. Acontece que após a safra, no momento em que o proprietário vai utilizar o espaço para outro fim, como a própria pecuária, a falta de manejo correto pode comprometer o cultivo na temporada seguinte. Para nós, é preciso diálogo para estabelecer qual o melhor modelo deste manejo”, sustenta.

Zuliani é direto o frisar que o cultivo da soja está consolidado, porém avalia que questões precisam ser superadas para que haja evolução, ao menos o ritmo visualizado na última década. “Se os produtores conseguirem driblar os efeitos do clima e fazer boas safras, a produção deve aumentar, mas isso será aos poucos”, atesta.

Competitividade

Dentre os pontos que considera vantagens ao setor em nível local, Zuliani frisa a proximidade com o porto de Rio Grande, destino natural de boa parte das sacas. “O nosso valor de venda acaba sendo melhor de quem produz no Norte”, compara. Tal detalhe, porém, também serve como um equalizador para o mercado gaúcho. Em especial porque se aqui a distância é menor, os desafios do cultivo são maiores. “Lá eles não têm essa instabilidade climática que enfrentamos. Mas temos como ser competitivos (…) Quem tem a chance de instalar equipamentos de irrigação já ganha certa vantagem. Ainda há como manejar o solo para que melhore a umidade. Isso tudo vamos discutir no Simpósio. Temos que achar o melhor modelo para crescer”, concluiu.

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