ANO: 25 | Nº: 6334
30/06/2018 Caderno 5º Simpósio Produção de Soja da Região da Campanha 2018

O grão que conquistou os campos da Campanha

Foto: Tiago Rolim de Moura

Somente na Rainha da Fronteira, o total cultivado foi de 38 mil hectares
Somente na Rainha da Fronteira, o total cultivado foi de 38 mil hectares


Há cerca de dez anos, a produção de soja já ocupava parte das lavouras da Campanha gaúcha. Contudo, de forma nem tão expressiva quanto na atualidade. Para tanto, basta analisar a quantidade de hectares destinados a tal cultura.
Conforme o assistente técnico regional da Emater, Edison Dornelles, a expansão da soja foi exponencial. “Nos últimos anos isso foi visível. Na área da regional, que conta com cerca de 20 escritórios, abrangendo desde São Borja até Candiota, há uma década, eram cerca de 250 mil hectares destinados para tal cultivo. Na atualidade, especificamente nesta safra, este número atingiu 675 mil hectares”, atesta. Somente na Rainha da Fronteira, o total cultivado foi de 38 mil hectares em 2018.
Para o especialista, alguns fatores contribuíram para que novos investimentos no setor fossem concretizados. “Os verões com boas condições climáticas foram determinantes. Na nossa região é mais provável que tenha excesso de água na colheita em vez do período de desenvolvimento vegetativo. O stress hídrico no período de germinação é determinante. Contudo, com algumas exceções, os resultados auxiliaram a produção. Isso, claro, estimulou o setor”, avalia.
Dornelles destaca, por outro lado, que os rendimentos proporcionados pelo mercado, ao produto, também são atrativos. Na atualidade, por exemplo, o valor da saca de 60 quilos está na ordem de R$ 75, preço acima de outras culturas. "O que movimenta em torno da economia é muito grande", reconhece.
“Uma característica muito peculiar é que temos muitos arrendamentos. Produtores de fora investem; por sua vez, os daqui acabam garantindo uma renda certa. Isto foi importante. Até porque, mesmo com a produtividade alcançada, o potencial local não é tão expressivo quanto o de outras regiões. Enquanto aqui, em média, são produzidos cerca de 60 sacas do grão por hectare, em outros locais isso chega a 80 sacas, ou até mais”, argumenta.

Mercado para investir
Além de mencionar a busca de empresários do ramo, mesmo de outras regiões, interessados em empreender na região, o assistente técnico evidencia ser possível, sim, novos produtores locais destinarem atenção à sojicultura.
"Nós acompanhamos iniciativas desde a elaboração de projetos de financiamento e mesmo a aplicação na lavouras; capacitamos técnicos para auxiliar neste processo. A questão de quanto será necessário e o retorno buscado é variável. Tudo depende da forma que a lavoura será manejada. O retorno, neste caso, é proporcional em cada caso", menciona.
Dornelles, contudo, salienta uma vantagem que vem sendo bastante explorada, muito além da diversificação de cultivos dependendo do período - inverno ou verão. "Tem a possibilidade de integração entre a lavoura e a pecuária. Isso garante diversidade e, claro, amplia a receita do produtor ao longo do ano", destaca.

Futuro indecifrável
Questionado sobre projeções para os próximos períodos, Dornelles é claro ao afirmar ser difícil estimar um cenário exato para o futuro. "A produção não tem sido igual, em nenhum ano. Há sempre um crescimento. Eu, particularmente, creio que o atual cultivo, no mínimo, se mantenha dentro do padrão ou amplie", comenta.
Para ele, contudo, alguns cuidados serão determinantes. "Há uma questão quanto ao nosso solo, que é frágil. Para que a produção seja produtiva, o sojicultor precisa ter esse cuidado como o principal. Tem que usar cultivares de ciclos diferentes. Isso, no mínimo, diminui o risco de perdas totais por uma possível seca que atinja a região", sugere.

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