ANO: 25 | Nº: 6359

Airton Gusmão

redacaominuano@gmail.com
Pároco da Catedral
30/06/2018 Airton Gusmão (Opinião)

São Pedro e São Paulo: uma existência aberta para a Vida e Missão

Na oração da Prece Eucarística, que faz menção aos Apóstolos Pedro e Paulo, que celebramos neste primeiro domingo do mês de julho, ouvimos: “Senhor, Pai Santo, Deus eterno e todo-poderoso. Hoje, vós nos concedeis a alegria de festejar os Apóstolos Pedro e Paulo. Pedro, o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o Evangelho da Salvação. Por diferentes meios, os dois congregaram a única família de Cristo e, unidos pela coroa do martírio, recebem hoje, por toda a terra, igual veneração”.
Esses dois apóstolos, colunas da Igreja, que tem como fundamento Jesus Cristo, testemunharam e anunciaram a Boa Nova em diferentes ambientes e situações; cada um a seu modo, sofreram, foram perseguidos e martirizados, porque, com certeza, fizeram a experiência de se deixarem encontrar pelo Senhor. É o que ouvimos nas leituras desta solenidade: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo; Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava (Mt 16,16 e At 12,11); “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. O Senhor esteve ao meu lado e me deu forças. O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste” (2Tm 4,6-8.17-18).
Quantas vezes nós cristãos, diante de pequenas dificuldades, obstáculos e provações, temos a tentação de desanimar, desistir e até mesmo falar que é difícil seguir Jesus Cristo, viver em comunidade e anunciar e testemunhar os valores do Evangelho e do Reino de Deus. E assim, podemos cair num comodismo, rotina, sem ânimo e espírito missionário. E aqui é importante a pergunta: o que está acontecendo e por quê estamos pensando, sentindo e agindo assim?
Sobre o desafio de uma espiritualidade missionária, e que vale para todos os cristãos, o Papa Francisco nos diz: “Que embora rezando, muitos agentes pastorais desenvolvem uma espécie de complexo de inferioridade que os leva a relativizar ou esconder a sua identidade cristã e as suas convicções, onde não se sentem felizes com o que são, nem com o que fazem. Acabam assim por sufocar a alegria da missão” (Alegria do Evangelho, nº 79).
Precisamos olhar para Jesus Cristo, os Apóstolos Pedro e Paulo e tantos cristãos que ao longo da história, em meio a tantas adversidades e sofrimentos, testemunharam a alegria do evangelho. E vamos perceber na vida, missão e testemunho destes cristãos aquilo que se chama de “parresia”: ousadia e ardor.
Na Exortação Apostólica sobre o chamado à santidade no mundo atual, lemos sobre s características para esta busca de santidade. E uma delas é a ousadia e ardor: “Ousadia, entusiasmo, falar com liberdade, ardor apostólico: tudo isso está contido no termo ‘parresia’, que expressa também a liberdade de uma existência aberta, porque está disponível para Deus e para os irmãos”.
Essa exortação vai nos lembrando que “a ousadia e a coragem apostólica são constitutivas da missão. A ‘parresia’ é selo do Espírito, testemunho da autenticidade do anúncio. É uma certeza feliz que nos leva a gloriar-nos do Evangelho que anunciamos, é confiança inquebrantável na fidelidade da testemunha fiel”.
Ainda refletindo sobre a ousadia, o texto chama a atenção para o perigo, a tentação do comodismo que deve ser superado: “Pelo comodismo, já não enfrentamos o mal e permitimos que as coisas continuem como estão ou como alguns decidiram que estejam. Desafiemos o comodismo, abramos bem os olhos, os ouvidos e, sobretudo, o coração, para nos deixarmos mover pelo que acontece ao nosso redor e pelo clamor da Palavra viva e eficaz do Ressuscitado”.
Nesta busca permanente de ousadia e ardor para vivermos o nosso seguimento e testemunho de Jesus Cristo, somos convidados a olhar para o testemunho de homens e mulheres ao longo da história. É o que a exortação sobre a santidade continua falando: “Move-nos o exemplo de tantos sacerdotes, religiosas, religiosos e leigos que se dedicam a anunciar e servir com grande fidelidade, muitas vezes arriscando a vida. O seu testemunho lembra-nos que a Igreja precisa de missionários apaixonados, devorados pelo entusiasmo de comunicar a verdadeira vida. Os santos surpreendem, desinstalam, porque a sua vida nos chama a sair da mediocridade tranquila e anestesiadora” (nº 129-139).
Por isso, nos deixemos encontrar por Jesus Cristo e sejamos suas testemunhas com ardor e ousadia; a exemplo de São Pedro e São Paulo, mesmo em meio às tribulações e sofrimentos, pois Ele está ao nosso lado e nos dá forças. Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...