ANO: 25 | Nº: 6231
04/07/2018 Segurança

Crimes do Pampa: uma guerra contra o furto de animais

Foto: Divulgação

Ações policiais que completarão dois anos em outubro trabalham em conjunto com a Vigilância Sanitária e já diminuíram em 25,5% os casos no Estado do Rio Grande do Sul.
Ações policiais que completarão dois anos em outubro trabalham em conjunto com a Vigilância Sanitária e já diminuíram em 25,5% os casos no Estado do Rio Grande do Sul.

por Távisson C. Esteves
acadêmico do Curso de Jornalismo da Urcamp

Foi-se o tempo em que o campo era considerado sinônimo de tranquilidade, lazer e descanso. Criada em 1º de agosto de 2016, a Força-Tarefa de Combate aos Crimes de Abigeato da Polícia Civil teve como objetivo combater elevados índices de abigeatos e outros crimes rurais praticados contra os produtores, ações criminosas que geram prejuízos econômicos enormes ao Rio Grande do Sul.
O trabalho da força-tarefa tornou-se tão importante que, em 27 de abril deste ano, transformou-se na Delegacia de Crimes de Abigeato (Decrab), a primeira especializada no Brasil, que atende hoje todo o território do Estado, contando com uma sede em Bagé e outra no município de Santiago-RS.
Segundo o inspetor de Polícia, Patrício Antunes, um levantamento, realizado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP) e divulgado no início de 2018, mostrou que no ano de 2016 foram 10.451 registros de casos de abigeato no Rio Grande do Sul. Já em 2017, de acordo com a SSP, foram 7.783 casos registrados, apontando uma diminuição de 25,5% em ações abigeatárias no RS.
Antunes evidencia que Bagé possui o maior número de casos na região da Campanha. A polícia registra a ação de organizações de fora, como Pelotas e região central do Estado . Segundo ele, até o momento, foram 206 prisões de criminosos, 27 quadrilhas e organizações criminosas já desarticuladas e quase 1.000 cabeças de gado recuperadas durante o curso da força-tarefa. O inspetor também afirma que a recuperação destes animais dão a força e a vontade de continuar os esforços contra os abigeatários: “Em um caso ocorrido em Restinga Seca-RS, apreendemos dois indivíduos em um caminhão que acabara de ser utilizado para cometer um furto em uma propriedade rural da região, um terceiro indivíduo foi pego logo em seguida. A quadrilha estava levando, no caminhão, 31 animais. Logo pela manhã, recebemos o dono dos bovinos na delegacia. Chorando, a vítima agradeceu pela recuperação dos 31, de seus 80 animais. A operação impediu que este pecuarista entrasse em falência com a perda das cabeças de gado. Ele tentou até pagar um churrasco, mas, claro, não aceitamos”.

Quarenta toneladas em prejuízos e perigos
Vindas de abatedouros ao ar livre, 40 toneladas de carne sem procedência de origem foram apreendidas no comércio local. Em todas as operações da força-tarefa em prol da segurança sanitária, os alimentos que eram oferecidos à população e consumidos devido ao atraente preço apresentado, foram recolhidos em ações policiais. Os valores dos prejuízos chegaram a R$ 7 milhões em todo Estado, em 10 meses de investigações.
Segundo Antunes, há casos de relatos de animais recém-vacinados que foram abatidos, acarretando um enorme risco aos consumidores. “Animais que receberam vacinas antibióticas foram mortos em menos de 12 horas depois, a lesão na carne infecciona o músculo, impedindo o consumo humano, ocasionando muitos riscos de infecção alimentar”, alerta o inspetor.

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Vítima do campo
O proprietário da Cabanha Cinco Salsos, Cláudio Martins, relatou as cenas presenciadas por seus empregados na madrugada de 7 de agosto de 2017. Sua propriedade, no município de Aceguá, foi vítima de criminosos que agiram por volta das 4h da manhã. Martins conta que este foi o primeiro caso de abigeato em seus campos e que foram perdidos seis animais da raça Hereford.
Como ocorreu o crime? “Entraram lá e mataram a tiros os animais, e depois carnearam e tiraram as partes que interessavam para eles e deixaram os restos ali, uma cena muito feia, realmente muito chocante”.

Qual foi o procedimento de denúncia? “Foi feito um B.O. na Brigada Militar de Aceguá, entretanto, no município tinha apenas dois policiais e não houve nenhum tipo de visita para avaliação.

Quais foram os prejuízos econômicos com o acontecido? “O prejuízo foi avaliado na volta de R$ 3 mil por animal, no caso dos seis animais foram R$ 18 mil, nos quais passamos todo um trabalho para chegar àquele resultado de alta qualidade e, que além disso, não estavam em condições de consumo”.

Quanto aos perigos do consumo desta carne, o que acha válido citar? “Deve sempre ser colocado para a população, que quem compra carne barata está comprando um alimento em condições impróprias de consumo, pois nela há remédios contra verminoses e outros medicamentos que podem criar danos à saúde humana”.

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