ANO: 26 | Nº: 6587
04/07/2018 Cidade

Simpósio aborda sustentabilidade das lavouras de soja

Foto: Tiago Rolim de Moura

Debates tiveram sucesso de público
Debates tiveram sucesso de público

Produtores de vários municípios da região e do Estado estão participando, em Bagé, da 5ª edição do Simpósio Produção de Soja na Região da Campanha . Entre os temas tratados, a sustentabilidade das lavouras e as demandas pertinentes ao atual momento da oleaginosa, abordando os caminhos da produtividade os desafios do manejo, além das análises de custos de produção e viabilidade econômica.
A abertura oficial, que aconteceu na noite de segunda-feira, teve a participação dos assessores do Sistema Farsul, Antônio da Luz, Eduardo Condorelli e Fernando Cavalheiro Pires, que falaram sobre as ameaças ao Agro e as ações do Sistema Sindical Rural. Como economista chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz também foi responsável pela primeira explanação e fez uma análise dos custos de produção e viabilidade econômica da soja sequeira versus a soja irrigada. O tema teve a mediação do produtor João Honório Dias.
Para o economista, o simpósio da região da campanha é um dos mais importantes do País, porque aborda os temas mais pertinentes para o atual momento, que ajudam a desenvolver para o futuro. “São compartilhadas informações técnicas que auxiliam a mudar toda a economia regional. Os temas partem da demanda dos produtores”, comenta.

Caminhos para a alta produtividade
O engenheiro-agrônomo e mestre em produção vegetal, Luiz Gustavo Floss, sócio proprietário do Grupo Floss, empresa que presta consultoria e realiza pesquisa agrícola situada em Passo Fundo, falou, ontem pela manhã, sobre os caminhos da alta produtividade abordando seis aspectos. Ele ressaltou que há uma escada para chegar ao modelo adequado para cada região e, para isso, é necessário levar em consideração o equilíbrio químico-físico, a adubação equilibrada, a escolha do cultivar, o manejo fitoterápico e o equilíbrio hormonal e biológico.
O agrônomo salientou a importância de adequar a produtividade a cada região e criar os modelos adequados. “Todos esses caminhos fazem parte do processo para levar a cultura à longevidade”, disse. O palestrante ainda destacou que todas as regiões que têm plantação de soja vivem uma mudança econômica.

Estratégias de controle das pragas
O professor da Universidade de Passo Fundo e doutor em Fitopatologia, Carlos Alberto Forcelini, destacou, em sua palestra, sobre os desafios ao manejo de doenças em soja. Ele apresentou a discussão sobre o resultado de uma pesquisa sobre as principais pragas que afetaram as lavouras na safra 2017/2018 e fez uma projeção para a próxima safra.
O pesquisador, que realiza suas análises na metade norte do Estado, destacou que existe um paralelo entre as duas regiões, sendo que a realidade de clima é diferente, mas as pragas são semelhantes. Ele citou a ferrugem asiática como uma das principais doenças e afirmou que este tipo de problema pode diminuir a produtividade, desfolhando rapidamente a planta, o que pode reduzir em até 50% a produtividade.
Forcelini disse que o ano chuvoso prejudica mais as lavouras com o aparecimento das pragas, mas, ao mesmo tempo, é melhor para a produtividade. “É preciso buscar estratégias para conseguir um controle moderado das doenças”, enfatizou.

Debate
Após as palestras, ontem, foi realizado um painel sobre os temas da manhã mediados pelo professor do curso de Agronomia da Universidade da Região da Campanha (Urcamp) e doutor em Fitosanidade, Paulo Siqueira. Para ele, os temas abordados foram oportunos quanto à realidade e viabilidade da cultura da soja.
Para Siqueira, os aspectos técnicos abordados no Simpósio são fundamentais para a manutenção da produtividade de forma sustentável ao longo do tempo “É fundamental que os empreendedores da cultura pensem suas propriedades e façam os ajustes necessários para permitir a continuidade da atividade e o processo do negócio”, declarou.

Avaliação
O coordenador do evento, Ricardo Zuliani, avaliou a importância do simpósio para que os produtores troquem ideias e sejam destacadas as demandas do momento e temas atuais que impactem no resultado da produção. Ele disse que a diretoria da Associação e Sindicato Rural trabalhou as demandas junto aos produtores.
Zuliani destacou que a atual demanda é a consolidação da soja na região e também a integração lavoura e pecuária para a sustentabilidade do negócio. Atualmente, a região (Bagé, Candiota, Hulha Negra e Aceguá) conta com 120 mil hectares de soja plantada e houve um aumento de mais de 500% de área em 10 anos. “As parcerias estão crescendo e isso é importante para a manutenção do cultivo da soja juntamente com a pecuária", ressaltou.
Na parte da tarde, as palestras iniciaram com o tema “Soja na Região da Campanha: protagonista de um modelo agrícola ou coadjuvante de um Sistema Integrado de Produção Agropecuária?", com doutor em Ciência do Solo, professor da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) e sócio-diretor e pesquisador da Integrar - Gestão e Inovação Agropecuária, Felipe Carmona. Também foi tratado sobre “Os Sistemas Integrados de Produção Agropecuária e a qualidade do solo: agregando segurança ao “Negócio Soja” na região da Campanha”, pela doutora em Ciência do Solo e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Amanda Posselt Martins.
O Projeto 10+: uma nova etapa para o aumento da produtividade no cultivo do arroz” foi a última palestra do dia, ministrada pelo mestre em fitotecnia e coordenador técnico do Projeto 10+ do Instituto Riograndense do Arroz (IRGA), Luciano Carmona.

Programação
Hoje
8h às 9h - “Lavoura e pecuária já sei fazer. Quero saber onde está o lucro!”, com Davi Teixeira, consultor da SIA Brasil;
9h às 11h - Apresentação de cases de sucesso de parcerias agropecuárias e debate com especialistas.

Mais imagens

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...