ANO: 25 | Nº: 6386
06/07/2018 Fogo cruzado

Pré-candidata à presidência, Valéria Monteiro percorre País em caravana custeada com recursos próprios

Foto: Antônio Rocha

Presidenciável visitou redação do Jornal MINUANO, ontem
Presidenciável visitou redação do Jornal MINUANO, ontem
A Campanha gaúcha entrou no mapa da caravana de pré-campanha realizada pela jornalista Valéria Monteiro, pré-candidata à presidência da República. O roteiro pela fronteira do Rio Grande do Sul inclui agendas em Uruguaiana e em Bagé, onde a postulante ao cargo de presidente concedeu entrevistas a rádios e jornais. “O objetivo é escutar as pessoas, que estão cada vez mais marginalizadas da política. Quero atuar como uma mobilizadora, no sentido de reafirmar a importância da participação de todos no processo democrático”, explica.
Valéria tem 53 anos e uma trajetória consolidada no jornalismo. A mineira de Belo Horizonte foi primeira mulher a apresentar o Jornal Nacional, da TV Globo, em 1992. Também foi apresentadora do Fantástico, atuou como modelo e atriz. Defendendo bandeiras que podem ser qualificadas como progressistas, a pré-candidata afirma que ‘é movida pela indignação’. “Quando divulguei meu primeiro vídeo nas redes sociais, falando sobre política, em setembro do ano passado, as pessoas começaram a dizer que eu era corajosa. Começaram a perguntar se eu iria, mesmo, enfrentar e me envolver neste ambiente. Percebi o tamanho da descrença na classe política. Entendi que é justamente isso que precisamos mudar”, pontua.
A denominada caravana da coragem já percorreu mais de 20 mil quilômetros, passando por municípios de 19 estados brasileiros. “Todo o trajeto é feito com o meu carro, um Kia Cerato 2011. Eu custeio todos os gastos. Abri mão do fundo partidário e eleitoral. É um trabalho de formiguinha, de olho no olho. Serve para conhecer as demandas locais e os anseios das pessoas. Neste sentido, é enriquecedor. Quando concluir, ninguém poderá dizer que não conheço o Brasil ou a realidade brasileira”, destaca.

PMN
Valéria é filiada ao Partido da Mobilização Nacional (PMN). Em março, a executiva nacional da legenda apresentou uma resolução, definindo que não disputaria o pleito de outubro com candidatura à presidência. Caberá à convenção, agendada para o dia 21, entretanto, a definição sobre a candidatura para o próximo pleito. A medida é resguardada por um mandado de segurança concedido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Pretendemos não só ganhar a possibilidade da candidatura (que será apresentada na convenção), como também destituir a executiva nacional, que demonstrou uma falta de preceitos democráticos. Os partidos, hoje, estão muito interessados em ultrapassar a cláusula de barreira, para garantir a autopreservação. Nossa intenção é transformar o PMN de dentro para forma, para que seja grande e relevante, e não siga uma linha paralela, de apoio a outros grandes partidos”, afirma.

Bandeiras
A temática da desigualdade social está no centro do debate de futuro proposto por Valéria. A presidenciável já apresentou posicionamentos sobre o aborto e a descriminalização da maconha, defendendo uma nova agenda de debate sobre as duas pautas, mas reforça que a discussão sobre os contrastes econômicos é central. “São temas que geram discussões importantes, mas não são os principais. Mas é importante perceber que temos uma dimensão de desigualdade que vai levar a uma ruptura sangrenta se a gente não conseguir evitar que ela se aprofunde mais. Se não conseguirmos controlar, não vai haver sequer mercado consumidor no país”, avalia.
Para Valéria, nenhuma meta pode ser atingida com os atuais níveis de desigualdade. “Hoje, 3% da população detém 95% da riqueza. Vejo isso como um novo colonialismo, imposto por uma elite que já conseguiu entender que não adianta mais cerca as casas ou blindar os carros por que não vão conseguir sair com as joias nas ruas. Essa elite não tem compromisso com o Brasil. Está pronta para se mudar para a Europa, deixando o resto de nós, aqui, para sermos empregados deles”, critica.
A pré-candidata acredita que, para equilibrar essas relações, o País precisa de um projeto capaz de assimilar as vantagens da ‘quarta revolução industrial’ (marcada pela convergência de tecnologias digitais). “Este processo  vai causar rupturas e em uma velocidade ainda maior. Temos que debater a renda básica universal, que possa garantir a todos os brasileiros uma condição de vida digna, tempo para estudar, se qualificar e condições para empreender. É preciso desburocratizar”, elenca, ao salientar que também vislumbra a necessidade de investimentos em infraestrutura. “Temos que implementar uma grande malha ferroviária. E é possível fazer de maneira substantiva em quatro anos. A gente não precisa apenas construir mais escolas. Precisamos é fazer com que a tecnologia chegue a todo mundo”, reforça.
O desenvolvimento de indústrias criativas é encarado pela presidenciável como uma alternativa para regiões economicamente deprimidas, a exemplo da Campanha gaúcha. “Eu vejo um grande potencial de riqueza na região, que vai além do setor primário. Estamos presos a uma forma antiquada de ver a economia. Morei nove anos nos Estados Unidos. Na época, a principal indústria de Nova Iorque, por exemplo, era a da moda. Por que não estamos nesse mercado? Por que precisamos ser só o celeiro do mundo? Temos muito potencial. O que nos falta é atentar para tudo que ainda pode ser feito no terreno da inovação”, reflete.

Empoderamento
Valéria também revela uma posição definida sobre a participação feminina na política, defendendo uma postura de protagonismo. “As mulheres devem participar direta ou indiretamente. A gente não pode colocar toda a responsabilidade nos homens para nos empoderar. A gente tem que ir além de preencher cotas. As cotas criadas pela legislação eleitoral podem ser uma brecha para entrar na política. É preciso colocar o pé e não deixar fechar esta porta. Depois devemos colocar o cotovelo e empurrá-la, para abrir ainda mais. Precisamos marcar presença com as nossas próprias agendas”, conclui.

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