ANO: 24 | Nº: 8084
13/07/2018 Cidade

Bagé registra, em média, três novos diagnósticos de Aids por mês

Foto: Tiago Rolim de Moura

Diminuição dos repasses de medicamentos é uma das preocupações
Diminuição dos repasses de medicamentos é uma das preocupações
A Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul informou, esta semana, uma redução no número de mortes por Aids no Estado. Em Bagé, a estimativa não se confirma. A média de mortes é de uma por mês, enquanto são diagnosticados cerca de três novos casos no mesmo período. A prevenção é a melhor forma de evitar novo alastramento da doença que ataca o sistema imunológico. Mesmo com a diminuição, o Estado ainda tem mortalidade bem acima do índice nacional.

Entre janeiro de 2007 e janeiro de 2017, foram notificados 194.217 casos de infecção pelo HIV no Brasil, sendo que 40.275 foram na Região Sul e 18.901 no Rio Grande do Sul. Em relação à mortalidade (com dados de 2016), a média nacional é de 5,2 óbitos para cada 100 mil habitantes. Na Região Sul, são 6,7 óbitos para cada 100 mil habitantes. E, no Estado, 9,6 óbitos para cada 100 mil habitantes. O número de mortes ainda é alto, mas há uma tendência de queda: só no RS, a taxa de mortalidade caiu 17,2% entre 2006 e 2016.

Conforme a coordenadora do Serviço de Atenção Integral à Sexualidade (Sais), Rosane Gonzales, são realizados em torno de 500 testes rápidos por mês em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e atendidas 15 pessoas por dia no órgão. "Após o diagnóstico, as pessoas são encaminhadas para o Sais e recebem o tratamento", relata.

Crack

O médico pediatra e especialista em doenças sexualmente transmissíveis, Carlos José Jeismann, integrante da equipe do Sais, comenta que, entre as pessoas atendidas, a maior incidência está entre usuários de crack, e as mortes, na maioria das vezes, são por diagnóstico tardio e abandono do tratamento.

Uma das preocupações de Jeismmann é o repasse de medicamentos pelo governo federal. Ele informa que são realizados os pedidos e, normalmente, estão vindo remessas em menor quantidade. "Estamos preocupados que falte, porque compromete todo o tratamento e pode piorar o estado do paciente", disse.

Atualmente, os tratamentos para a Aids estão mais acessíveis. Do diagnóstico ao tratamento, o atendimento é considerado rápido. "Não tem motivo para que as pessoas não tomem os medicamentos, até porque o efeito colateral é muito menor", ressalta.

Exposição

Outra integrante da equipe do Sais, a médica ginecologista Teresinha Ricaldone informa que as pessoas estão utilizando a Profilaxia Pós-Exposição, medicamento utilizado após exposição ocupacional ou sexual, de forma indiscriminada. Ela conta que um paciente recebeu o medicamento três vezes e sempre foi dito que não era para ser utilizado dessa forma. E na quarta vez foi diagnosticado com o vírus. "A estimativa da Organização Mundial de Saúde é que para cada diagnóstico, 10 não sabem que têm a doença e acabam contaminando outras", lembra.

Jeismann destaca que, em 2016, Bagé ocupava a 56ª posição no ranking de cidades com mais de 100 mil habitantes em casos de Aids e, em 2017, subiu para 37ª posição.

Epidemia

O GT Unaids (Grupo Temático Ampliado das Nações Unidas sobre HIV/Aids) é um dos braços do Unaids, o programa da ONU que busca soluções para combater a enfermidade no mundo inteiro. Com a colaboração de parceiros globais, nacionais e regionais, a meta é acabar com a epidemia da Aids até 2030.

Mais imagens

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...