ANO: 24 | Nº: 6059
16/07/2018 Luiz Coronel (Opinião)

Poema dos 80 Anos

Evito desafiar o tempo

colocando

minhas cartas na mesa.

Ele ganha sempre!

 

É dono do relógio,

xerife dos ventos,

sota-capataz das estações.

 

O tempo pediu que

eu beijasse sua mão.

Gritei, lépido e faceiro:

 - Hoje não tenho tempo!

 

Desafiou-me a um duelo.

Ele tem modernos arsenais.

Tenho apenas um corta-unhas

e um canivete de

descascar laranjas.

 

Entre as vigas da memória,

ergui uma muralha

empilhando livros

e entrelaçando abraços.

 

O tempo enfiou o boné

no cabide do horizonte

concedendo-me, talvez,

meia-dúzia de aniversários.

 

Deu de ombros, advertindo:

- Poupa a gasolina

que não vais tão longe.

O que mais amas

está bem perto de ti.

O que tens a zelar?

 

- Tenho as lonjuras do Pampa

e a beleza do mar!

 

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...