ANO: 25 | Nº: 6359

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
19/07/2018 João L. Roschildt (Opinião)

O perigo da beleza

Quem não aprecia o que é belo? Dentro da normalidade e frente aos impulsos naturais, é inarredável a inclinação humana para aquilo que é esteticamente agradável. Até mesmo a inveja é uma comprovação de tal comportamento: inveja-se aquilo que é encantador aos sentidos.

Com a justificativa de acabar com o “sexismo” no futebol, na semana passada, a FIFA orientou que as emissoras de televisão, responsáveis pelas filmagens dos dois últimos jogos da Copa do Mundo de 2018, evitassem filmar mulheres de maneira a estimular a erotização. De acordo com o porta-voz daquela entidade, “preferimos que a cobertura evite focos exagerados e prolongados que possam levar à sugestão de conotações sexuais ou a uma tendência de gênero”. Tal medida busca rechaçar a “objetificação” da mulher e foi tomada em razão do elevado número de assédios registrados naquele evento.

É pelo não uso de um guarda-chuva que a chuva termina? Resta evidente que não. A FIFA, ao confundir as relações de causa e efeito, crê que ao não “estimular” visualmente o espectador, serão evitados os assédios. O tema é muito mais complexo do que uma mera apreensão determinista da realidade. E como estabelecer quando uma filmagem induz à libido? E se alguém “exala” sensualidade em razão de sua beleza, não pode ser alvo de um cinegrafista?

Em janeiro deste ano, a Fórmula 1 decretou: não haverá mais “grid girls” em suas corridas. Um dos motivos foi o fato de que essa atividade é “questionável” de acordo “com as normas sociais modernas”. Tal medida provocou a revolta de modelos que já trabalharam na função. Rebecca Cooper, modelo, disse que “o politicamente correto enlouqueceu”, além de dizer o quão ridículo é ver mulheres dizendo que lutam pelos direitos das mulheres, limitando o espaço de trabalho feminino. Exato! O politicamente correto é a insanidade encarnada em teoria, e as feministas instrumentalizam mulheres para a sua grande causa: a destruição do modelo de sociedade vigente. Lucy Stokes foi mais contundente: “Eu sou respeitada, bem paga e orgulhosa de representar o time para o qual trabalho. Não é correto para ninguém, muito menos as ‘feministas’, julgar nosso trabalho quando, francamente, estão colocando tantas mulheres fora do emprego. Onde está a igualdade e o empoderamento nesse caso?”. A histeria das ressentidas invejosas e dos iluminados intelectuais gera danos por onde passa.

Até mesmo concursos de beleza estão padecendo com isso. Nos EUA, o Miss América sofrerá uma alteração radical em 2019: o banimento da prova de biquíni. Essa mudança objetiva aproximar o evento à causa feminista. De acordo com a organizadora, poderão participar mulheres “de todas as formas e tamanhos”, enfatizando que “não vamos julgar as nossas candidatas pela aparência física”. Em suma, será um concurso de beleza interior em que só serão belas aquelas que concordarem com as causas progressistas. Será uma disputa para saber qual mulher representa melhor a ideologia coletivista. A beleza, enquanto um jogo de formas que agrada a visão, é algo do passado.

A invídia, sentimento purulento para com o que é melhor, aliado a ideologias totalitárias, gerou uma profusão de rancorosos. O ódio contido de antes extravasa-se em instituições e ganha legitimidade em determinados meios sociais. Existir e ser bela, eis o conto da Cinderela.

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