ANO: 25 | Nº: 6278
20/07/2018 Campo e Negócios

Soja responde por 16% das exportações brasileiras no semestre

Foto: Tiago Rolim de Moura

Dados foram expostos pela Fundação Getúlio Vargas
Dados foram expostos pela Fundação Getúlio Vargas

Dados do Indicador do Comércio Exterior (Icomex), relativo ao mês de junho, divulgado ontem, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre FGV), apontam que a soja em grão respondeu por 16% do total exportado pelo Brasil para o mundo nos primeiros seis meses do ano e, se somados o minério de ferro e o petróleo, o percentual chega a 33%. A informação é da Agência Brasil.

A participação da China na pauta das exportações continua crescendo e o país asiático se mantém como principal destino dos produtos brasileiros, já tendo ultrapassado a parcela dos 28 países da União Europeia. Segundo a publicação, as exportações brasileiras para a China cresceram 26% no primeiro semestre do ano.

Segundo o estudo da FGV, como a pauta de exportações do país tem se concentrado em poucas commodities, e a China vem ganhando participação como país destino dos produtos brasileiros, é forçosa a necessidade de "se discutir uma nova agenda da política de comércio exterior do país".

Câmbio
Os economistas da FGV ressaltaram o fato de que os resultados do Icomex relativo a junho mostram que o efeito da desvalorização cambial ainda não se fez sentir nos fluxos comerciais, em especial nas importações. Segundo o estudo, o índice da taxa de câmbio real efetivo calculado pelo Ibre mostra uma desvalorização de 11% de janeiro a junho, o que levaria a um efeito negativo nas importações. Ressaltam, porém, que "o efeito câmbio não é imediato, e outros fatores influenciam nos fluxos de comércio. No caso das importações, por exemplo, o nível da atividade doméstica é o principal fator de influência nos fluxos de comércio e até maio ainda se esperava crescimento do PIB na ordem de 2,5 a 2,8%".

"A reversão dessas projeções [do PIB] para valores próximos a 1%, a partir do final do semestre, sugere que, além do efeito defasado do câmbio, as importações deverão ter uma maior desaceleração", a partir deste segundo semestre do ano, diz o Ibre. O documento ressalta ainda o fato de que, no caso das exportações, "o efeito câmbio foi positivo para o crescimento das não commodities, de 9,7% na comparação dos dois primeiros semestres, e 7,9% entre junho de 2017 e [junho] 2018". As commodities, que explicam cerca de 60% das exportações brasileiras, cresceram 2,9% no primeiro semestre deste ano, comparativamente ao primeiro semestre do ano passado, embora tenham recuado 1,7% na comparação mensal (maio-junho).

A evolução dos preços, segundo o estudo, levou a um aumento nos termos de troca em 2,4% de maio a junho de 2018, porém, em relação ao início do ano, os termos de troca fecharam em queda de 2%. A avaliação dos economistas da FGV é de que "após uma recuperação nos preços das exportações no segundo semestre do ano passado, os termos de troca tendem a declinar neste ano. Ressalta-se no entanto, que ainda estamos com valores superiores ao do período de 2013/15".

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