ANO: 25 | Nº: 6312

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
21/07/2018 Airton Gusmão (Opinião)

A compaixão que acolhe a vida desde a concepção

Sempre é importante lembrar aquela música, inspirada na Palavra de Deus, que diz: "Eu vim para que todos tenham vida. Que todos tenham vida plenamente. Entreguei a minha vida pela salvação de todos. Reconstrói, protege a vida de indefesos e inocentes: onde morre o teu irmão, eu estou morrendo nele".

"Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas" (Mc 6, 30-34).

Vivemos uma mudança de época que influencia decididamente os critérios de compreensão e os valores mais profundos sobre a vida humana, a sua dignidade; chegando ao extremo de negar a primazia do ser humano; levando à banalização da vida, à cultura da morte; numa visão de que os pobres são considerados supérfluos e descartáveis. Diante da complexidade destas realidades, que desafiam o ser cristão e o ser Igreja, é preciso discernimento para perceber que, no fundo, para além de uma crise econômico-financeira, vivemos uma crise antropológica que, à luz da fé cristã, se revela como uma rejeição da ética e de Deus.

Deus é o Deus da vida e que teve e continua tendo compaixão, misericórdia para com a humanidade; muitas vezes vivendo como "ovelhas sem pastor, onde os pastores, aqueles que deveriam cuidar e defender a vida, desde a concepção até a morte natural, deixam as populações se perderem e se dispersarem".

E é justamente esta compaixão de Deus que move Jesus em direção das vítimas inocentes, quantas hoje também maltratadas pela vida ou pelas injustiças dos poderosos. É essa compaixão que faz Jesus tão sensível ao sofrimento e à humilhação das pessoas. Sua paixão pelo Deus da compaixão se traduz em compaixão pelo ser humano.

Jesus Cristo, o Bom Pastor, diante da realidade de exclusão, sofrimento, injustiça e morte, não ficou indiferente; reagiu com a sua vida, testemunho, palavras e gestos. E pediu aos apóstolos e cristãos de ontem e de hoje que façam o mesmo.

O Papa Francisco nos diz que "entre os seres mais frágeis de que a Igreja quer cuidar com predileção, estão também os nascituros, os mais inermes e inocentes de todos, a quem hoje se quer negar a dignidade humana para poder fazer deles o que apetece, tirando-lhes a vida e promovendo legislações para que ninguém o possa impedir. Um ser humano é sempre sagrado e inviolável, em qualquer situação e em cada etapa do seu desenvolvimento" (Evangelho da Alegria, nº 213).

Na "Nota de repúdio ao Supremo Tribunal Federal, contra as razões da ADPF 442 e contra o seu intento de descriminalizar o aborto até a 12ª semana de gestação, mediante via judicial", a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, diz no seu parágrafo 4º: 'Cremos que o direito à vida é o mais fundamental dos direitos e, por isso, mais do que qualquer outro, deve ser protegido e promovido. Ele é um direito intrínseco à condição humana e não uma concessão do Estado. Os Poderes da República têm obrigação de garanti-lo e defendê-lo. O Projeto de Lei 478/2007 – Estatuto do Nascituro, em tramitação no Congresso Nacional, que garante o direito à vida desde a concepção, deve ser urgentemente apreciado, aprovado e aplicado'.

Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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