ANO: 25 | Nº: 6284
25/07/2018 Segurança

Registro de armas de fogo na Polícia Federal quintuplica em dez anos

Foto: Tiago Rolim de Moura

Em Bagé, testes obrigatórios são realizados no Clube de Tiro
Em Bagé, testes obrigatórios são realizados no Clube de Tiro

O número de registros de arma de fogo para pessoas físicas realizados pela Polícia Federal quintuplicou nos últimos dez anos. Os dados, obtidos pelo Instituto Sou da Paz, por meio da Lei de Acesso à Informação, mostram que, no período de 2008 a 2017, a quantidade de armas registradas saltou de 6.260 para 33.031.
“A gente acredita que isso está bastante relacionado tanto a uma sensação de insegurança das pessoas e uma dificuldade de ver respostas efetivas do Estado, mas, principalmente, à maior difusão de um discurso um pouco fácil de que é só comprar uma arma e todos os seus problemas estarão resolvidos”, destaca a coordenadora de projetos do Instituto Sou da Paz, Natália Pollachi.
Segundo ela, as estatísticas mostram que, em geral, as pessoas não conseguem reagir de modo a evitar o assalto ou balear o assaltante. “A tentativa de reação aumenta a gravidade do fato. O que poderia ser um roubo à mão armada pode se tornar um latrocínio”, ressalta. “A chance de a pessoa conseguir reagir armado é tão pequena que é muito mais provável que essa arma acabe sendo mal utilizada, em brigas familiares, em acidentes com crianças, em brigas de trânsito”, completa.
No período, os dados mostram um forte aumento no número de registros, principalmente, a partir de 2013, quando 19.476 armas foram documentadas. Em 2014, a quantidade subiu para 24.204; em 2015, 36.303; em 2016, 32.552; e em 2017, 33.031.
“Quanto mais armas aparecem na mão dos cidadãos, ou liberando porte ou compra de armas, ou qualquer outro motivo, os homicídios crescem. Não só os acidentes domésticos, os casos de morte em assalto também crescem. O bandido, quando vê um cidadão armado, ele pode desconfiar que é um policial ou pode desconfiar que vai reagir e imediatamente atirar”, destaca o coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo, José Vicente da Silva Filho.

Números locais
Em Bagé, na Delegacia de Polícia Federal (DPF), o setor de registros de armas de fogo destaca que houve um aumento nos novos portes e renovações.
De acordo com informações repassadas ao MINUANO, no ano de 2014 foram registradas 104 armas de fogo, já em 2015, o número caiu para 99. Em 2016, a quantidade quase dobrou e foi para 174. Já no ano passado, foram registradas 223 armas e, de janeiro até 30 de junho deste ano, já há o registro de 98 armas de fogo.
O setor também destaca que, para adquirir uma nova arma, é necessário apresentação de um formulário preenchido que há no site da Polícia Federal com dados sobre antecedentes criminais e toda documentação. Além deste formulário, a pessoa que quiser ter o porte de arma de fogo deve fazer um teste psicológico - em Bagé há dois profissionais credenciados junto à DPF - apresentar toda documentação de antecedentes e o formulário, além de fazer um teste de tiro. A renovação é feita a cada cinco anos e devem ser apresentados todos os documentos, sendo realizados todos procedimentos, igual ao novo registro.
A aquisição de novas armas, conforme informou o representante do setor de registro, é feita na fábrica de uma marca, em Porto Alegre, ou através de um representante comercial que faz vendas de armas em Bagé.

 

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