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28/07/2018 Esportes

As mulheres em campo

Foto: Divulgação

Victória costumava ser a única menina jogando entre os meninos na escola e na rua
Victória costumava ser a única menina jogando entre os meninos na escola e na rua
O futebol feminino ainda não tem a mesma visibilidade da categoria masculina. Cada vez mais, porém, as mulheres tomam esse espaço e mostram suas habilidades na modalidade. Beatriz Borchardt Borges, por exemplo, é apaixonada pelo esporte desde criança. Ela conta que começou a jogar no Pelotas, aos 11 anos, depois de ser avaliada em uma peneira. Beatriz permaneceu no time até 2005 e, naqule ano, foi para a Seleção Brasileira sub 20 – aos 16 anos. No ano de 2008, foi campeã Gaúcha, ainda pelo Pelotas.

A jogadora tem 29 anos e conta que, no início da carreira, enfrentou preconceito. “Sofri muito, meus pais não gostavam muito”, lembra. A atleta recorda que era mais raro ver meninas jogando futebol na sua infância, mas hoje a situação é diferente. Mesmo com "muitos fazendo cara feia”, segundo ela, há muitos apoiadores do esporte.

A atleta trabalha em um escritório de contabilidade há 10 anos e explica que, por isso, não consegue ter uma rotina ideal de treinos, mas ainda frequenta academia três vezes na semana. A jogadora menciona que teve uma filha em 2016 e, no mesmo ano, voltou a jogar as quartas de final do Campeonato Gaúcho. Hoje, sua filha sempre acompanha as partidas da mãe.

Segundo a jogadora, o futebol feminino “poderia ser mais valorizado”. “Grande parte das mulheres jogam por amor a esse esporte, porque não têm ajuda financeira para as despesas, assim como os treinadores também tem que correr atrás de patrocinadores e as vezes tirar do próprio bolso”, diz.

Victória Carvalho Teixeira , 21 anos, ao contrário, recebeu apoio da família para começar no futebol. Ela lembra que treinava no campo com outros homens, já que não havia time feminino em Uruguaiana, onde mora. A jovem conta que foi influenciada em casa a ter amor pelo esporte. “Meu avô, tios e pais sempre foram muito envolvidos no meio, tinham um time de conhecidos, que jogavam campeonatos do bairro e afins”, comenta.

Ela conta que seu irmão ajudou para que não desistisse, mesmo enfrentando dificuldades, assim como sua mãe. “Até que um dia, minha família e eu fomos assistir a um torneio feminino. Ali foi o início de tudo, me encantei e nunca mais parei”, declara. Hoje, ela joga no Celemaster, time de futsal de Uruguaiana e treina de segunda-feira a sexta-feira, nos dois turnos. Os exercícios são conciliados com uma faculdade de Administração.

As duas jogadoras fazem parte da Associação Esportiva João Emílio (Aeje). O projeto é desenvolvido, em Candiota, com atletas de toda a região. O time prepara-se para estrear no Campeonato Gaúcho Feminino adulto neste domingo. A disputa será organizada, neste ano, pela Federação Gaúcha de Futebol (FGF). O primeiro adversário será o Grêmio e jogo acontece no Estádio Vieirão, às 15h. Este é o terceiro ano que a região e representada na categoria adulta da disputa do Rio Grande do Sul.

Na quadra, o futsal
Biana Mieres também concilia o futebol de campo – ela participa da Aeje – com o futsal. Aos 20 anos, ela também faz parte da diretoria do grupo S.O.S. Caixeiral Bagé. A jogadora começou a jogar aos nove anos. Aos 17, porém, uma lesão a afastou do esporte por um ano. “Tive que fazer uma cirurgia do ligamento cruzado anterior do joelho direito. No período de recuperação, houve muito aprendizado e superação”, recorda. Ela conta que se aproximou do futebol de campo por meio de um convite do presidente da associação, Cleo Moura Lopes, para ser massagista. “Em 2017, fiz uma preparação para jogar o campeonato gaúcho daquele ano, pela equipe da João Emílio. Foi a primeira vez que joguei futebol de campo e venho me adaptando ao longo do tempo”.
Ela destaca que teve influência do primo Uilson Mieres, ex-jogador de Guarany e Bagé, que ensinou a atleta a jogar. “Começamos a função fazendo gol a gol, na garagem dos meus avós. Ele é meu espelho e maior incentivador”, comenta.
BaGua
Os dois clubes tradicionais da cidade também já inciaram as atividades com futebol feminino. No Grêmio Esportivo Bagé, Cláudia de Moura, 32 anos, conta que o trabalho começou no início de 2017. Os treinos são realizados, na maioria das vezes, aos finais de semana. O grupo é de futebol sete e tem 15 integrantes no total, com Paulino Corrêa como treinador.
Cláudia conta que, ainda criança, já gostava de jogar. Chegou a parar de praticar algumas vezes, mas acabou retomando os treinos. Ela comenta que é torcedora jalde-negra e participa por amor ao clube, como forma de lazer. “Lembro também que quando pequena ia assistir sempre os jogos do meu tio pela várzea”, recorda.
Josi Machado é a responsável pelo grupo alvirrubro. O time ainda pratica futsal, mas a ideia é ampliar e construir um time para futebol de campo. A equipe existe desde abril deste ano e os treinos são realizados aos sábados.
O grupo tem 13 atletas na atualidade, com jogadoras de 16 a 37 anos, incluindo atletas de outras cidades. A responsável conta que sempre foi torcedora alvirrubra. “Eu jogo desde meus 14 anos. Naquele tempo, não tinha tanta divulgação do futebol feminino. Hoje em dia está bem melhor organizado e tem chance evoluir cada vez mais. As pessoas estão reconhecendo que o futebol feminino dá muito certo e podem investir”, declara.

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