ANO: 25 | Nº: 6399

José Carlos Teixeira Giorgis

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Desembargador aposentado e escritor
28/07/2018 José Carlos Teixeira Giorgis (Opinião)

Luizinho bom de verso

Acho que conheço o Luizinho Coronel desde os tempos bíblicos. Há muito, pois. Talvez da Praça dos Desportos. Ou da casa do tio Djalma. Do Ginásio Auxiliadora. Não importa.
Convivemos bastante quando fomos colegas na Faculdade de Direito. Podia contar um episódio acontecido aqui em Bagé na véspera de viagem para fazer as provas em Pelotas. Uma noite de solteiros, diga-se. Dá para imaginar.
Lá, a gente se hospedava numa república de bajeenses (Walfredo Macedo, Doglia, meu irmão Fernando, Rissieri). A ampla sala se transformava em cancha de futebol de salão. Na vizinhança, uma escola de samba. Ficava na rua Santa Cruz, nº 412.
Depois eles se mudaram para a rua General Osório, nº 150, onde eu ia pouco, pois, para sair daqui, precisava um salvo-conduto militar. Certa vez, neguei o empréstimo de um sabonete. Quando voltei para a pensão, o coronel e o Walfredo haviam transformado minha cama em um trono, encimado pelo dístico “Rei da Ingratidão”, escrito em…papel higiênico.
Ali almoçavam outros estudantes. Me lembro do Leopoldo Rassier, depois um dos grandes cantores nativistas. Meu amigo João Silveira, que casou com a Sáskia Not, depois juiz, hoje falecido, acho até que contribui para o namoro. Num almoço estoura um petardo, todos fugiram. Um ato, hoje, “terrorista”. Ninguém descobriu a autoria, talvez alguém que houvesse perdido a namorada para algum hóspede. Foi uma correria e a dona da pensão quase expulsa todos, embora nossa sedizente inocência.
Depois da formatura, Luizinho, já casado, ensaia a magistratura, foi pretor. Tinha um belo futuro, mas a filosofia e os sonetos o tiraram do prumo. Virou um baita poeta. Aqui, em Porto, ele não deixa de avisar algum autógrafo ou homenagem que receba. Algumas vezes, em sua aprazível casa, na rua Dario Pederneira, perto da residência do saudoso Paulo Brossard, ele se esforça em cozinhar um arroz a carreteiro. Sempre aparece alguém para cantar “Cordas e espinhos”.
Há dias, ouvindo as músicas dele cantadas pela Fafá e prestava atenção nas letras transcritas no livro da Leontina das Dores confesso: vieram-me lágrimas, me emocionei com a beleza das rimas.  Atentem, humanos, como eu fiz e chegarão à conclusão que eu tive: “Puxa, esse Luizinho é bom de verso”. É a glória de seus amigos. Honra para Bagé que ele tanto estima e distingue. Merecida essa homenagem quando ele fica idoso. Finalmente.  
Luizinho, agora tens a “rédea solta pra alegria. Deixa atrás os desenganos. As horas montam os dias/ na cancha reta dos anos”.
Abraço, parceiro!

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